Joia Modernista

No dia em que é comemorado o Dia do Patrimônio Histórico, o Palácio Gustavo Capanema está no centro de uma polêmica envolvendo o leilão de imóveis da União. “É como se Roma quisesse vender o Coliseu,” disse o arquiteto e antropólogo Lauro Cavalcanti ao saber que o Palácio Gustavo Capanema estava à venda pela União. O ícone arquitetônico, inaugurado em 1945, é fruto de um encontro de nomes como: Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Burle Marx, Portinari e Affonso Eduardo Reidy, sob a consultoria de Le Corbusier – mestre da arquitetura moderna. Foi considerado pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) o edifício mais avançado em construção no mundo à época. Vale lembrar que está na lista indicativa do governo federal para que seja declarado Patrimônio Mundial pela Unesco.

2.263 imóveis situados no Rio de Janeiro fazem parte de um programa de venda de propriedades da administração federal pelo Ministério da Economia para reduzir a dívida pública do governo. 

O Palácio Capanema está entre os que mais geraram revolta. O Edifício foi sede de dois ministérios: o da Educação e da Saúde Pública e é considerado um marco da arquitetura moderna brasileira. É um dos lugares mais marcantes da cultura e da educação local, estadual e nacional. Abriga instituições federais que não se mudaram para Brasília após a mudança da capital do Rio. Elas são o retrato da cultura do país, como a Fundação Biblioteca Nacional (FBN), a Fundação Nacional de Arte (Funarte), a Fundação Palmares,o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Por isso, é  um lugar de memória – sede de um acervo enorme de documentos e pesquisas.

Cerca de 42 mil visitantes circulam pelo prédio por ano, seja para atividades culturais, educacionais, para consulta dos arquivos ou apenas para visitar o Salão Portinari e os jardins de Burle Marx. A privatização do imóvel significa a exclusão do acesso público a este patrimônio cultural.

Em nota conjunta, dez instituições ligadas à arquitetura, entre elas Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil – CAU Brasil, Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro (SEAERJ) e Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (Abeao), disseram que receberam a proposta de venda do palácio em um feirão de imóveis com assombro. “Quanto vale um prédio concebido, projetado e construído para ser um símbolo da cultura nacional?”, questionam eles.

Medidas judiciais estudam barrar o negócio. Um decreto-lei de 1937, ano em que o palácio foi erguido, impede a alienação de imóveis tombados que pertençam à União.

SC Rio de Janeiro/Brasil 15/09/2010 Palacio Gustavo Capanema – Foto Leonardo Aversa / Agencia O Globo

Outros cartões-postais à venda são o edifício que abrigou o A Noite e o prédio que sediou a extinta Rede Ferroviária Federal.