Dois tempos da Pequena Sala de Estudos de Lia Siqueira

O ano era 1991. A jovem arquiteta Lia Siqueira – grávida de sua segunda filha, Betina – estreava em CASACOR na primeira edição da franquia carioca da mostra. O espaço era exíguo, mas tinha um pé-direito alto que permitiu à arquiteta transformá-lo numa charmosa biblioteca, com estantes-escada que levavam a um mezanino. Nomeado na época de Pequena Sala de Estudos, o espaço seria premiado, meses depois, pelo concurso anual realizado pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil. Mas na família Siqueira ficou marcado como o local do primeiro passeio de Betina, que nasceu logo na primeira semana da mostra.

 A mãe Lia Siqueira e seus dois filhos, Betina e Felipe

 

Trinta anos mais tarde, Betina, agora designer de interiores, assina com a mãe e o irmão Felipe, uma nova Pequena Sala de Estudos. O espaço que ocupa o antigo Jardim de Inverno do Palacete Brando Barbosa, que abriga a 30ª. edição da CASACOR Rio, encantou os três assim que eles pisaram ali. E o que primeiro chamou atenção foi justamente o piso, em pedras de cantaria retiradas de uma antiga pedreira que havia bem próxima à casa. Algo raríssimo de se encontrar. Outro detalhe que não passou batido pelo olhar apurado e experiente de Lia foi a luminosidade. Com sete janelas em arco e um pé-direito de cinco metros, o espaço é banhado por luz natural. Um recurso que o trio valorizou ainda mais trocando o off-white das paredes por branco.

“Fiquei encantada por esse espaço. O escritório já tem essa característica de trabalhar espaços solares e quando entrei no ambiente, ele realmente me emocionou. Tanto pela luz, quanto por esse piso. E a gente resolveu que não mexeria nessas características principais,” explica Lia.

 

Para aproveitar a altura, Lia desenhou, mais uma vez, estantes exclusivas, todas em freijó. Giratórias, as peças dialogam com a arquitetura, preenchendo os vazios existentes, e servem ainda para guardar livros e materiais de estudo do “dono do espaço”, um estudioso do comportamento de artistas e seus locais de trabalho. Por conta disso, os poucos acessórios usados ali, de forma decorativa, foram cedidos por nomes das artes como Gabriela Machado, Beatriz Milhazes, Luiz Zerbini, Leda Katunda. Outro empréstimo luxuoso que pode ser visto no espaço é a biblioteca de Bia Corrêa do Lago, que inclui, toda a obra de Rubem Fonseca.

 

Para quem visitar a mostra, aliás, vale muito prestar atenção no mobiliário. Tudo ali foi criado exclusivamente por Lia, em madeira maciça, para a CASACOR Rio. E muito bem pensado. Os baús, por exemplo, ocupam as áreas abaixo das janelas. Mas podem ser transportados de um lado para outro, montados com ou sem pés e até terem várias peças sobrepostas criando um novo formato de estante. O único móvel que talvez desperte algum dejà vu nos mais atentos é a poltrona. Criada para a CASACOR Rio 2015, a peça ganhou nova roupagem. Agora, tem uma versão com braço e é também giratória.

 

Fotos: André Nazareth

A CASACOR Rio de Janeiro 2021 conta com a participação de 57 profissionais, entre arquitetos, designers de interiores e paisagistas. São 38 espaços montados na Residência Brando Barbosa. Pela primeira vez, a mostra é híbrida, com uma versão presencial e uma versão digital, com vídeos e tours 3D que ficarão disponíveis no site (https://casacor.abril.com.br/mostras/rio-de-janeiro/