Ano novo, casa nova, expo nova

Ano novo, casa nova, expo nova. Foi nesse clima que a galeria Nara Roesler, uma das principais galerias brasileiras de arte contemporânea, adentrou 2021. Presente em Nova York desde 2015, a galeria de renome agora mudou de endereço por lá e inaugurou um novo espaço no bairro de Chelsea. A escolha não é por acaso, afinal, é por lá que as principais galerias internacionais estão. 

E para inaugurar a casa nova com todo estilo, escolheu a dedo uma exposição bacanérrima para chegar chegando. A “Cross-Cuts” se desdobra em cinco instalações diferentes – cada uma delas abordando questões que dizem respeito à arte contemporânea no Brasil e nos Estados Unidos. A mostra se estruturou a partir da riqueza e variedade que constituem o portfólio Roesler, destacando nove artistas significativos: Antonio Dias, Paul Ramirez Jonas, Berna Reale, Cristina Canale, Karin Lambrecht, Maria Klabin, Milton Machado, Artur Lescher e Tomie Ohtake. 

“Cross-Cuts funciona como capítulos que enfocam um corpo específico na obra de cada artista, ou uma conversa entre dois ou três artistas. Acreditamos numa apreciação artística de mente aberta, capaz de descobrir por meio de justaposições relevantes, feitas de forma comparativa e analógica, novos significados que ampliem as ressonâncias estéticas e políticas”, afirma Luis Pérez-Oramas, Diretor Curatorial Sênior. 

O entrelaçamento entre arte e política nas práticas pós-conceituais é abordado nas pinturas de cross-cuts de Antonio Dias em sua icônica série da década de 1970, “The Illustration of Art”. O diálogo sobre o significado social dos monumentos no espaço público e as políticas da violência se dá por meio de esculturas da série “Ventriloquist” (2013), de Paul Ramirez Jonas, e da documentação em vídeo e fotografia da performance “Palomo” (2013), de Berna Reale. A resiliência da pintura figurativa e pós-expressionista contemporânea evidencia-se nas obras de três pintoras brasileiras: as composições de Cristina Canale, entre o figurativo e o abstrato; a representação distintiva da figura e da paisagem em Maria Klabin; e a abstração imersiva multicolorida de Karin Lambrecht. A articulação entre escultura, arquitetura e paisagem no mundo pós-industrial pode ser verificada na escultura de gavetas de metal de Milton Machado, “Pilha” (2009), e na série “Rios” (2018-19), de Artur Lescher, com estruturas feitas com tiras de feltro ou aço. A unificação da escrita com a abstração está incorporada nas esculturas caligráficas, assim como nas pinturas em campos de cor e linhas, características da obra tardia de Tomie Ohtake. 

Uma seleção de obras de outros artistas atualmente representados pela galeria também está em cartaz em uma sala adjacente. Ao lado desses trabalhos, há uma coleção de publicações, assim como de materiais digitais e impressos sobre a história, os artistas e o programa da galeria. 

“Cross-Cuts” fica em cartaz até 13 de fevereiro de 2021. Esta semana, quem está em destaque é Karin Lambrecht e Maria Klabin. Na semana que vem é vez de Milton Machado e Artur Lescher. E na seguinte, Tomie Ohtake. Devido às circunstâncias impostas pelos protocolos de saúde relacionados à crise da Covid-19, a galeria está aberta a um número limitado de visitantes. Agendamentos com antecedência são incentivados através do email: ny@nararoesler.art.