De Cara Nova

2021 chegou cheio de novidades no Rio. Entre as que estamos mais animados por aqui está a reabertura do Sítio Roberto Burle Marx, que estava fechado para visitação devido a obras de melhorias desde 2018. Localizado em Barra de Guaratiba, na Zona Oeste, o espaço dispõe de um acervo botânico único, além de pinturas, gravuras, móveis, cerâmicas, tapeçarias, murais, painéis de azulejos, obras de artistas consagrados e do próprio paisagista, todos itens de sua coleção particular. Após o grande processo de modernização, o lugar continua firme como candidato a Patrimônio Mundial Cultural pela Unesco. 

O trabalho de requalificação realizado realça a grandeza do patrimônio preservado pelo Sítio e a sua importância como lugar de memória. Segundo o Iphan, a propriedade é exemplo para o planeta de um espaço em que o estudo e a experiência paisagística da flora e da fito-ecologia tropical serviram de base para um intercâmbio de valores humanos que influenciaram a direção da modernidade e a visão de paisagismo no Brasil e no mundo.

Nascido em 1909 em São Paulo e criado no Rio de Janeiro, onde faleceu em 1994, Burle Marx se tornou conhecido internacionalmente como um dos paisagistas mais relevantes do século XX. Criou o conceito de jardim tropical moderno, promovendo uma mudança de paradigma no paisagismo mundial, baseado em formas modernas e no uso de plantas tropicais e subtropicais, rompendo com a tradição de jardins clássicos e românticos do século XIX e início do XX.

Ele viveu no Sítio entre 1973 e 1994, reunindo exemplares de mais de 3.500 espécies de plantas tropicais e subtropicais de diversas partes do mundo, algumas em risco de extinção. O Sítio dispõe de exemplares das 34 espécies que possuem uma relação direta com Burle Marx: duas delas descritas diretamente pelo paisagista, 16 nomeadas em homenagem a ele e outras 16 que foram descritas utilizando materiais coletados nas expedições realizadas por ele.

Para apresentar a beleza da obra de Burle Marx para quem não pode enxergar, o museu instalou placas táteis representando algumas peças em exposição. Outra novidade é que deficientes auditivos podem acompanhar as visitas guiadas através de tablets, que contam com uma espécie de “vídeoguia” com linguagem de sinais. E para se adequar às necessidades do momento de pandemia, o número de pessoas nos grupos de visita, que originalmente seriam até 20, agora têm saído com no máximo cinco. As visitas acontecem de terça a sexta-feira, às 13h, 13h30m e 14h e custam 10 reais. As reservas são feitas pelo site sitiorobertoburlemarx.org.br ou pelo telefone 2410-1412. Bom proveito!