CASACOR Rio 30 anos depois

Quem esteve na primeira edição da CASACOR Rio, em 1991, lembra bem. O restaurante da casa se tornou um dos points mais badalados do período, sempre com filas enormes na porta. O arquiteto responsável pelo espaço era, então, o mais novo do evento: Luiz Fernando Grabowsky, hoje um veterano conceituadíssimo no mercado. E um parceiro sempre presente nas mostras. A próxima será sua 22ª. participação.

“Já havia a CASACOR em SP, mas aquela foi a primeira grande exposição no Rio. E foi uma delícia de fazer, todos superempolgados com aquela casa emblemática. Do ponto de vista, da carreira, foi muito importante ter feito CASACOR, que se tornou o maior evento da América Latina e alavancou a carreira de muita gente,” diz Nando.

o restaurante decorado por Nando Grabowsky em 1991, na primeira edição da CASACOR Rio/ Foto: Arquivo pessoal do arquiteto

Este ano, ele projeta a Sala do Piano. Mas, há 30 anos, seu restaurante entrou para a história do evento. O ambiente, que ficava na saída do circuito de visitação, tinha até uma entrada própria, influência clara no art déco e um certo ar hollywoodiano, que ficava ainda mais evidente com as fotos de artistas usadas na estante existente no espaço que sofreu interferências do arquiteto.

Em 2015, Nando voltou a fazer um restaurante na CASACOR. Mais um sucesso que mereceu até prêmio do Jornal O Globo/ Foto: André Nazareth/CASACOR 

Outro ambiente que fez sucesso naquele ano foi o Living. Criado por Chicô Gouvêa, que já havia participado de edições paulistas da mostra, o espaço foi uma homenagem ao artista plástico Frans Krajcberg.

“CASACOR é muito legal de fazer. Sempre tive a proposta de não ser comercial. E fiz o que quis fazer. Em 1991, foi uma homenagem ao Krajcberg, um grande amigo e artista que sempre admirei muito. E, esse ano, vou novamente usar três peças dele,” conta Chicô, dando um spoiler do que vem por aí em 2021.

Em 2010, Chicô criou um de seus espaços autorais em CASACOR, uma biblioteca/ Foto: Kitty Paranaguá

Presente em 16 edições da CASACOR Rio e nome requisitado no mercado, Chicô acompanhou as mudanças na casa ao longo desses 30 anos e comemora especialmente a valorização do design brasileiro no período.

“Acho que hoje a gente dá mais valor para as peças brasileiras. Houve uma redescoberta dos artistas dos anos 1950/ 60. Antigamente, eu usava peças indígenas e africanas e as pessoas criticavam por conta de preconceitos que eram uma bobagem, apenas reflexo da sua falta de conhecimento. Hoje, o artesanal e as coisas nacionais são muito procurados e valorizados,” avalia o arquiteto, que projeta uma Sala de Almoço com Varanda para a próxima edição da CASACOR Rio.

Em sua última participação na CASACOR, em 2013, Chicô Gouvêa levou seu estilo para uma área externa

Lia Siqueira e Patricia Marinho eram bem jovens quando participaram da CASACOR Rio em 1991. Lia criou para o evento uma saleta já repleta da marcenaria que marca todo o seu trabalho que chamou na época de “Pequena Sala de Estudos”. Nome que volta na próxima edição, mas de uma forma bem diferente. Já Patricia teve um desafio e tanto naquela primeira CASACOR. Um corredor! 

Em 2015, a arquiteta Lia Siqueira encheu de estantes personalizadas o Ateliê que criou para a CASACOR Rio

“Foi realmente muito desafiador de fazer, especialmente no momento da montagem, porque tínhamos vários vizinhos que ficavam passando. Mas foi muito divertido também. E tenho amigos daquela época com quem convivo até hoje. Foi um trabalho bem atemporal. Era um corredor estreito que colori com prateleiras vermelhas, cores primárias e com muita obra de arte,” relembra Patricia, que assinou o ambiente com Luiz Marinho.

 Em 1991, o importante arquiteto modernista Noel Marinho fez o desenho que ilustrou o ambiente da filha Patrícia no catálogo CASACOR daquele ano/ Arquivo pessoal da arquiteta; Já em 2016, Patricia usou um painel de azulejos criado pelo pai em seu Pátio Modernista, ambiente que criou com a sócia Manuèle Colás/ Foto: André Nazareth/ CASACOR

Para a arquiteta, que na próxima edição decora um terraço com bela vista para o jardim, uma boa mudança nesses 30 anos foi o intercâmbio com o mercado exterior, que naquela época simplesmente não existia. 

“Muitas marcas bacanérrimas vieram para cá, apostaram no Brasil e isso aqueceu nosso mercado. Acho que essa abertura está entre as coisas mais positivas que aconteceram nestes 30 anos. Vimos também uma consolidação dos designers brasileiros maravilhosos que nós temos. Isso é notável. O nosso design, que sempre foi de grande qualidade, ganhou visibilidade,” avalia.