Arte em Cartaz

Depois de 6 meses fechadas, as instituições culturais cariocas voltam aos poucos a funcionar. CCBB, MAM e MAR, que estão entre os museus mais importantes do Rio, estão abertos com medidas rígidas de higiene e segurança para garantir um passeio de baixo risco para os cariocas. E, diga-se de passagem, estão com exposições bacanérrimas em cartaz.

CCBB RJ: “Ivan Serpa: A Expressão do Concreto”

O CCBB reabriu em meados de setembro com visitação por hora marcada de quarta a segunda. E tem um horário de funcionamento reduzido, das 09h-17h, sendo que a entrada do prédio só fica aberta até às 15h. Isso tudo, é claro, com controle de fluxo no local, medição de temperatura dos visitantes, uso obrigatório de máscaras, sinalizadores de distanciamento no piso e totens de álcool gel espalhados pelo espaço. 

A exposição em cartaz é: “Ivan Serpa: A Expressão do Concreto”, uma retrospectiva completa sobre a vida e o legado do artista carioca, referência na história da arte brasileira moderna e contemporânea. Apresenta mais de 200 trabalhos, de diversas fases do artista que morreu precocemente mas deixou obras que abrangem uma grande diversidade de tendências, utilizando várias técnicas, tornando-se parâmetro para novos caminhos na arte visual nacional. Por meio de obras oriundas de diversas coleções, a mostra traz várias fases do pintor e sua multiplicidade estética e técnica, com importantes pinturas do período concretista, peças de caráter expressionista, da fase Negra, em que o artista preferia denominar Crepuscular, obras das fases Op-erótica, Amazônica e Mangueira terminando com a fase Geomântica, que revelam um aspecto místico do pintor.

MAM Rio: “Irmãos Campana – 35 Revoluções”

O Museu de Arte Moderna do Rio reabriu com toda pompa comemorando a carreira de 35 anos da dupla Humberto e Fernando Campana. Batizada de “Irmãos Campana – 35 Revoluções”, a exposição reúne projetos inéditos e instalações, concebidos especialmente para o espaço, e uma ampla seleção de peças de design e esculturas desenvolvidas ao longo das últimas décadas, a mostra pretende desafiar o público com uma montagem ousada, imersiva e provocadora. Os 1,8 mil metros quadrados do segundo andar do edifício do MAM Rio, estão tomados pela arte irreverente, desafiadora e criativa dos Campana, nessa que é a maior retrospectiva deles até hoje. Numa espécie de caos criativo, os dois designers conceberam um ambiente imersivo, formado por um conjunto de grandes instalações e mais de cem peças selecionadas para a mostra, nas quais se sobressaem questões marcantes em sua produção, como a capacidade de integrar referências artesanais e industriais, uma profunda ousadia formal e material, um intenso flerte com o surrealismo e uma acentuada preocupação ambiental.

Além de medidas sanitárias, o museu agora só abre às quintas e sextas, das 13h às 18h, e aos sábados e domingos, das 10h às 18h. Embora não seja obrigatória a compra de ingresso, é sugerida uma contribuição voluntária de R$ 20.

MAR: “Casa Carioca” e “Aline Motta: memória, viagem e água”. 

O Museu de Arte do Rio também está funcionando com agendamento de visitação, recebendo apenas  60 pessoas em cada faixa de horário: 10h, 14h e 16h. E apenas duas exposições estão em cartaz: Casa Carioca” e “Aline Motta: memória, viagem e água”. 

 

Aline Motta se dedica a mapear narrativas ancestrais que permeiam as relações entre África e Brasil, no passado e no presente, debruçando-se sobre vestígios documentais de sua própria família nesta individual. A artista niteroiense parte de relatos e documentos originais para produzir leituras de episódios apagados pela história, entre a ficção e a realidade. Os três trabalhos – “Pontes sobre abismos” (2017), “Se o mar tivesse varandas” (2017) e “Outros fundamentos” (2019) – ocupam uma galeria do 1º andar do pavilhão de exposições.

Já “Casa Carioca”, oferece um recorte de cerca de 600 obras e mais de 100 artistas, apresentando temas como sociabilidade, o papel da mulher como esteio de família e direito à moradia. Trabalhos que retratam o período de isolamento social também fazem parte da montagem, assinada por Marcelo Campos, curador-chefe do MAR, e Joice Berth, arquiteta, urbanista e ativista do movimento feminista negro. 

E para terminar essa matéria com gostinho de quero mais, adiantamos que o Instituto Moreira Salles do Rio está se preparado para abrir uma exposição sobre o cineasta e documentarista Eduardo Coutinho com previsão para 10 de outubro… Fique ligado!