Trabalho e Afeto

É hora de repensar tudo. Foi isso que a holandesa Li Edelkoort falou ao mundo no início de março. Na época, a trend forecaster que alertou o planeta para os efeitos da pandemia, era uma voz solitária. Seis meses depois, tudo parece óbvio. E é justo nesse momento que a mesma Li assina a curadoria da exposição ‘Manufacture, a Labor of Love’, em Lille, na França. A mostra pontua a maneira como a nova geração de designers experimenta os materiais e os processos de fabricação. Todos os produtos expostos têm a matéria-prima no cerne do processo criativo – e é a partir dela que os produtos são transformados e ganham forma, transmitindo emoção e energia. 

 

A trendsetter holandesa Li Edelkoort é a curadora da expo ‘Manufacture, a Labor of Love’

Feita em conjunto com Philip Firmano, a exposição explora o chamado ‘movimento neo-materialista’ e inclui uma ampla gama de projetos que revelam todo o escopo desta produção coletiva. 

Cadeiras produzidas a partir de papel por Marjan Van Aubel e James Shaw juntam-se aos têxteis de linho feitos por Pauline Esparon. As mesas de pedra de Paul Cocksedge escavadas nas fundações de edifícios abandonados e as banquetas de Erez Nevi Pana, feitas de sal e cristalizadas pela natureza, justapõem casacos feitos a partir de saco de dormir adaptáveis desenvolvidos para pessoas em situação de rua por Bas Timmers. 

Edelkoort não é estranha à experimentação de materiais e outras metodologias alternativas de design. Como presidente da Academia de Design Eindhoven, ela estabeleceu novos departamentos que se concentram em vários modos de pensamento conceitual em vez de disciplinas tradicionais. Em muitos aspectos, este projeto curatorial avalia um movimento que ela ajudou a estabelecer em primeiro lugar. 

Confira algumas obras em cartaz: