Sonia Gomes em Nova York

Ela já ganhou um perfil até no New York Times e tem gente por aqui que ainda não descobriu o talento, e as cores, de Sonia Gomes. Com uma exposição em cartaz na concorridíssima Pace Gallery, em Nova York, esta artista negra brasileira nascida em 1948, em Caetanópolis, Minas Gerais, é o must do momento. Em sua obra, Sonia fala de memória, de recordação e de afeto. Tudo de forma visceral. Ela cria esculturas misturando tecidos, fios, objetos, formas e cores para transmitir as próprias raízes. 

A artista plástica brasileira Sonia Gomes, em cartaz na Pace Gallery de East Hampton, NY / divulgação: Pace Gallery

A inauguração da exposição na Pace marca a primeira parceria da artista com a galeria, que agora a representa nos EUA e na Ásia. Até então, a única outra brasileira representada pela Pace era a cobiçada Beatriz Milhazes. Em outros mercados, Sonia continua sendo representada pela paulista Mendes Wood DM.

“Sem título” (2020) da série A vida não me assusta / divulgação: Pace Gallery

A atual exposição reúne cinco de suas obras, ao lado de nove pinturas a óleo abstratas da artista brasileira Marina Perez Simão, e uma obra colaborativa. As obras de Sonia em tecido seduzem com suas cores vibrantes, padrões intrincados e formas orgânicas. Pessoas desconhecidas costumam deixar roupas e caixas com tecidos que não querem jogar fora no ateliê da artista em São Paulo, como vestidos de noivas antigos. Sonia então tece estas doações, e outros panos que ela vasculha em feiras, em suas instalações. Às vezes, também incorporando outros materiais, como madeira ou arame.

“Vôo” (2014) / divulgação: Pace Gallery

Sonia instala peças nas paredes, mas às vezes também no chão e penduradas no teto, criando um labirinto para os visitantes atravessarem com seus corpos.  

A artista fala freqüentemente – e com propriedade- sobre os enormes obstáculos e marginalização que os negros enfrentam ao entrar no mercado de arte brasileiro. No início da carreira, por exemplo, Sonia era representada não por uma galeria, mas por uma loja de antiguidades em Belo Horizonte. Sua obra era considerada “artesanato”… e não arte. A primeira exposição dela foi na Galeria Thomas Cohn, em São Paulo, e atraiu relativamente pouca atenção. Só mais recentemente, quando o influente e falecido curador nigeriano Okwui Enwezor a convidou para expor na Bienal de Veneza (em 2015) é que ela finalmente foi devidamente reconhecida.

A exposição “Sonia Gomes / Marina Perez Simão” / divulgação: Pace Gallery

A exposição “Sonia Gomes / Marina Perez Simão” fica em cartaz até 4 de outubro na Pace Gallery East Hampton -68 Park Place, East Hampton, Nova York.