Irmãos Campana: 35 anos de design

A ocupação dos irmãos Fernando e Humberto Campana no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro a ser inaugurada no próximo dia 14 de março, é a maior exposição já feita pela dupla em seus 35 anos de existência. Batizada de “Irmãos Campana – 35 Revoluções”, a exposição reúne projetos inéditos e instalações, concebidos especialmente para o espaço, e uma ampla seleção de peças de design e esculturas desenvolvidas ao longo das últimas décadas, a mostra pretende desafiar o público com uma montagem ousada, imersiva e provocadora. 

Os 1,8 mil metros quadrados do segundo andar do edifício do MAM Rio, serão tomados pela arte irreverente, desafiadora e criativa dos Campana. Numa espécie de caos criativo, os dois designers conceberam um ambiente imersivo, formado por um conjunto de grandes instalações e mais de cem peças selecionadas para a mostra, nas quais se sobressaem questões marcantes em sua produção, como a capacidade de integrar referências artesanais e industriais, uma profunda ousadia formal e material, um intenso flerte com o surrealismo e uma acentuada preocupação ambiental.

 A dupla de designers, e irmãos, Humberto e Fernando Campana

A definição dos diferentes núcleos e confluências é bastante subjetiva e decorre de uma leitura ao mesmo tempo afetiva e conceitual proposta pela curadora italiana Francesca Alfano Miglietti. A ensaísta realiza uma aproximação entre a obra dos Campana e a ideia de “escultura social”, desenvolvida por Joseph Beuys. “Arte e design, para os irmãos Campana, não é um conceito exclusivamente de museu, mas uma concepção estética revolucionária onde a arte se torna uma prática comum, portanto, capaz de melhorar o relacionamento do homem com o mundo”, conclui ela.

“Cadeira Vermelha” (1998)

“Poltrona Favela” (2003)

Logo na entrada, o visitante encontrará uma enorme parede de cobogós. São cerca de 1,6 mil tijolos terracota vazados que têm como elemento de repetição uma mão aberta, sinal ao mesmo tempo de alerta e saudação. A estrutura, que remete às paredes de elementos vazados típicos da arquitetura vernacular nordestina, já de início pontua um dos aspectos centrais da obra da dupla: sua capacidade de incorporar e reinventar elementos típicos da cultura brasileira. 

Da série “Hibridismo”

Outras intervenções de caráter fortemente cenográfico se espalham pela grande sala. Há o gigantesco painel intitulado “Pele”, estrutura substancialmente orgânica que combina painéis de madeira, argila expandida e tela de galinheiro e que deriva de um desejo de criar novas formas e estruturas para projetos de paisagismo; “ZigZag” (um mosaico de estruturas na forma de gotas, em diferentes tamanhos, recobertos de fios de um intenso verde limão, e que recobre o teto do espaço expositivo); e um cinema forrado de tecido dourado com sedutores pufes negros, para exibir a história dessa parceria.

“Poltrona Sade” 

Sem hierarquias ou cronologias, estarão em diálogo na mostra desde as antológicas Cadeira Vermelha (1998) e a Poltrona Favela (2003), até trabalhos mais recentes como a série Hibridismo, a Poltrona Sade e algumas investigações de caráter mais coletivo – como as luminárias intituladas Retratos Iluminados –, desenvolvidas através do Instituto Campana, instituição criada em 2009 pelos irmãos para resgatar técnicas artesanais e promover a inclusão social por meio de programas sociais e educativos.

“Retratos Iluminados”

“Irmãos Campana – 35 Revoluções” será inaugurada no dia 14 de março no  MAM Rio – Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo – Rio de Janeiro.