Duplo Olhar

A previsão para o final de semana na Cidade Maravilhosa não está tão maravilhosa assim. Por isso, o A Cor da Casa preparou uma dica cultural para quem quer aproveitar a chuvinha para visitar uma belíssima exposição. A coletiva “Duplo olhar: pintura e fotografia modernas brasileiras”, em cartaz na Casa Roberto Marinho, está um espetáculo. Com curadoria de Márcia Mello e Paulo Venâncio Filho, a mostra explora as possibilidades visuais do encontro dessas duas formas de arte e a unidade que dele resulta. Uma seleção de 60 pinturas da Coleção Roberto Marinho em diálogo com aproximadamente 160 fotografias compõem um importante documento ou visão poética da realidade do país.

 “Garrafas” , de Andre Carneiro (1950)

 

 “Sem título”, de Pierre Verger (1940-1950)

 

Dividida em sete recortes curatoriais: ‘eu e minha imagem’, ‘eu e o outro’, ‘natureza-morta’, ‘cenas brasileiras’, ‘a presença do mar’, ‘a linguagem da natureza’ e ‘abstrações’, a exposição apresenta pinturas de 15 expoentes da arte brasileira: Alberto Guignard, Alfredo Volpi, Antonio Bandeira, Candido Portinari, Cláudio Tozzi, Di Cavalcanti, Frans Krajcberg, Hélio Oiticica, Iberê Camargo, Ismael Nery, José Pancetti, Lasar Segall, Milton Dacosta, Roberto Burle Marx e Tarsila do Amaral. A curadoria reuniu também alguns dos nomes mais relevantes da fotografia moderna, como Cristiano Mascaro, Fernando Lemos, Flávio Damm, Gaspar Gasparian, Geraldo de Barros, German Lorca, Hermínia Nogueira Borges, João Nogueira Borges, José Oiticica, José Oiticica Filho, Marc Ferrez, Marcel Gautherot, Miguel Rio Branco, Pierre Verger e Thomaz Farkas.

 

 “Estudo 28”, de H. Fellet (1950)

 

 

Foto 4- “Il neige sur Notre Dame”, de Antonio Bandeira (1962)

 

De acordo com os curadores, fotografia e pintura modernas surgem ao mesmo tempo na França do século XIX. O impressionismo, que nascia naquele período, buscava se desvincular da perspectiva naturalista renascentista e se deixar permear por uma nova concepção da realidade, mais fluida e instável, para a qual também se voltava a técnica de reprodução fotográfica. Desde então, ambas sempre mantiveram relações de maior ou menor proximidade, durante as diversas tendências artísticas modernas.

 

 ‘Sem título”, de Burle Marx (1941)

 

“Eu poeta- autorretrato”, de Fernando Lemos (1949/1952)

Durante o século XX, a fotografia tanto explorou a sua versão dos gêneros pictóricos tradicionais, como também serviu de instrumento das práticas artísticas experimentais das vanguardas do século XX, como o construtivismo e o surrealismo. Inúmeros artistas já não diferenciavam a fotografia de suas outras práticas, como é o caso de Man Ray, Rodchenko e, entre nós, Geraldo de Barros.

“Duplo olhar” fica em cartaz na Casa Roberto Marinho até 26 de abril, na R. Cosme Velho 1105.