De olho no futuro

O A Cor da Casa se despede de janeiro olhando para o futuro. Para este nosso último post do mês, conversamos com arquitetos, decoradores, curadores de arte, designers e formadores de opinião da área sobre o que permanece in nessa nova década que acaba de começar. Afinal, quais são as tendências que esse time de feras considera atemporais e que continuaremos a conviver nos próximos dez anos? Só posso dar um spoiler: sustentabilidade. O resto, você confere aqui:

Sergio Conde Caldas, arquiteto:

“Acredito que o que estará em alta nos próximos 10 anos na arquitetura será cada vez mais o uso de materiais naturais, renováveis, como o bambu e o mlc, madeira laminada colada, por exemplo. A liberdade de formas e volumetria serão maiores dada a flexibilidade na metodologia estrutural desses materiais que ganham espaço e conhecimento prático nas suas utilizações.  O baixo impacto e a redução cada vez maior do “footprint“ no meio ambiente tanto na construção como na operação dos edifícios serão obrigações.”

Celso Rayol, arquiteto:

“Tenho viajado bastante, principalmente explorado países próximos na América do sul e alguns pontos da Europa, e nas minhas andanças o que me salta aos olhos como tendências do design, da arquitetura e da arte é a incorporação da “alma do lugar” no desenho. As regionalidades, a cultura e os materiais locais estão mais em evidência nos objetos e no espaço, trazendo originalidade advinda da singularidade de cada povo e região. O trabalho de Raphael Freyre, Arquiteto Peruano, muito me emocionou e resume o que acredito ser a esta tendência do mercado. Mais do que experiências, as pessoas querem ver a essência”.

Mauricio Nobrega, arquiteto:

“Acho que todos os materiais reciclados, revestimentos naturais e  madeiras certificadas estarão sempre em uso. A reciclagem e repaginação de móveis usados também.”

Ivan Rezende, arquiteto e designer

“A conjunção dos conceitos de abrigo e hospitalidade. Este binômio, que transpassa os tempos, é a soma que traduz, dentro da dinâmica dos acontecimentos, a moradia.”

Suzete Aché, jornalista da área de design e arquitetura

“Trabalho nesse setor desde 1992. Nesse tempo  todo imagine quantas ‘tendências’ e modismos vieram e foram embora. Acredito que uma década é muito para se fazer previsões já que tudo é muito dinâmico nesses tempos de internet. Mas como eu acreditava, quando adolescente, que não estava longe o tempo em que tudo que acontecia no desenho dos Jetsons seria realidade- robôs na cozinha, automóveis voadores, pílulas que viravam refeições inteiras (!)… Ainda não aconteceu, mas está próximo. Cada vez a arquitetura e a decoração estão mais comprometidas com a preservação do meio ambiente e isso deve ser prioridade. Materiais naturais, energia solar, valorização de objetos antigos, herdados, conforto em casa porque as pessoas cada vez saem menos e a população de idosos está crescendo muito e são, obviamente, os que mais ficam em casa. Acho que será a década da afirmação do ‘green style’. Torço para isso.”

Vanda Klabin, historiadora e curadora de arte

“A  arte contemporânea testemunha a sua diversidade. A maior parte  das obras de arte ironiza as nossas certezas e atualmente  temos que conceder um acesso maior à multiplicidade de experimentações e às turbulências que se observa no campo cultural. Diria que ao mesmo tempo, temos que encarar o passado, jamais eclipsar a história  e direcionar o futuro para um ponto focal de  reflexão, que é a representação da nova paisagem  que contém potencialmente todas as outras. Não estamos no  território das certezas e o processo de articular os próprios modos de ver, traz um sentido de desalojamento, da presença de uma paisagem híbrida onde o natural e o construído coabitam para criar um novo espaço público.

A  avalanche oriunda da alta tecnologia, as impressões em 3D para interiores, a inteligência artificial, os algoritmos, a tecnologia associada  à automação robótica, a energia do futuro e as  inúmeras novas conquistas, conduzem artistas, arquitetos e designers repensarem os suportes  para seu pensamento plástico. As performances e instalações já inscrevem o próprio corpo na cartografia do mundo, assim como as manifestações políticas e o ambiente urbano que adquiriram maior fôlego. Qual o papel do artista na sociedade nas próximas décadas?  Talvez o artista seja o público e já estão inscritos, em  seus trabalhos beneficiados pelo caráter aberto de procedimentos, uma espécie de dissolução da arte na esfera da vida.”

Anita Schwartz, galerista de arte contemporânea 

“Boas obras de bons artistas sempre terão seu lugar no cenário das artes, e é isso que faz que perdurem pelas décadas. Apesar do avanço tecnológico e digital presente nas artes, acreditamos que estas existirão em concomitância com os suportes tradicionais, e não tomando seu lugar, enriquecendo ainda mais o campo das artes.”