Luz e Sombra

Na semana passada o A Cor da Casa começou a dar dicas de programação cultural para este período de férias de verão. Falamos sobre o Museu da Porcelana, em Petrópolis, e hoje destacamos a exposição “Adalberto Mecarelli – Luz +”, recém-inaugurada na Galeria Mercedes Viegas. 

O artista nascido em Terni, Itália, em 1946, e radicado há 50 anos em Paris tem a sua primeira exposição no Brasil. Ele, que é escultor de matriz construtiva abstrata, se notabilizou por seu trabalho de pesquisa de luz e sombra, registros da luz solar, e está presente em vários espaços públicos em diversos países europeus, como França Itália e Alemanha. “A exposição traz sobretudo esculturas de luz que dialogam com o espaço da galeria, formas geométricas esculpidas pela sombra”, observa a curadora Elisa Byington, que selecionou obras do artista em diferentes técnicas e materiais.  

Além das esculturas de luz, – que ocuparão grande espaço na galeria – estarão na mostra a obra “Jai Prakash, cr2075”, (2000), conjunto de cinco trabalhos em nitrato de prata sobre papel de algodão, feitas em Jaipur, na Índia, cidade muito frequentada por Mecarelli, desde a residência artística que fez entre 1992 e 1993, para  pesquisar os notáveis observatórios solares do país; e a série “Hamlet” (1985), conjunto de nove impressões em água-tinta sobre papel de algodão, baseadas na cenografia que criou para a montagem de “Hamlet”, em 1985, no Théâtre des Quartiers d’Ivry, em Paris, com direção de Catherine Dasté, e excursionou por vários teatros franceses e europeus. 

A exposição terá ainda obras de 2010, em nitrato de prata sobre papel de arroz de registros solares feitos no Templo Haeinsa, na Coreia do Sul, e as obras inéditas “Demoiselles de Malakoff” (2019), desdobramentos da imagem de poliedros, impressas em nitrato de prata sobre tela crua. Malakoff é o bairro parisiense onde está o ateliê do artista, e as imagens surpreendentes que surgem do “embrulho” diferente de um mesmo poliedro, que, de modo não proposital e aleatório, remetem a imagens cubistas-futuristas, suprematistas, da abstração geométrica do início do século. O título das cinco obras em nitrato de prata sobre papel de algodão, “Jai Prakash, cr7520” (2000), se refere a um dos instrumentos astronômicos arquitetônicos em Jaipur, na Índia. 

“Luz e sombra, caos e cosmo serão os quatro elementos em suspensão”, observa o artista.

Em 2018, Mecarelli realizou “O Sol ao Sol”, uma grande escultura em pedra, de quase cinco metros de altura, instalada em um espelho d’água junto a um poliedro irregular em aço, em Ibiúna, São Paulo. A cada dia 22 de setembro, data do equinócio de primavera, o sol, que passa no centro da fenda que divide em dois o “totem” de pedra, reflete na água sob o poliedro em aço, que devolve os raios refletidos na direção do sol. 

Conheça aqui um pouco do trabalho deste artista, que é pouco conhecido no Brasil e aclamado lá fora:

 

“10h, 30 de maio de 2010, HainsaTemple, TripitakaKoreana 1”(Corea, 2010)

“13h, 30 de maio de 2010, HainsaTemple, TripitakaKoreana 2” (2010)

Jai Prakash, (Jaipur, 2000) 

“Duas pirâmides de luz 1976”  (1988)

“Pirâmide de sombra” (1973)

 “Para uma cenografia de Hamlet” (1985)

 Escultura solar em Siracusa (Sicilia, 2015)

“Adalberto Mecarelli – Luz +” fica em cartaz apenas até 31 de janeiro na Galeria Mercedes Viegas Arte Contemporânea, na Rua João Borges, 86, Gávea, Rio de Janeiro. Vale conferir!