Azulejos em foco

As criações do arquiteto Noel Marinho podem ser revisitadas com mais facilidade a partir de agora. Isso porque o livro “O uso imaginoso dos azulejos”, editado pela Editora Olhares, foi lançado em dezembro. E o sucesso tem sido tamanho, que a Livraria da Travessa – para dar um exemplo – já pediu um reabastecimento do estoque! 

 

 

A equipe editorial, que contou também com a colaboração autoral da filha e sócia de Noel, Patricia Marinho, e da galerista Heloisa Amaral Peixoto, se debruçou sobre plantas, fotos, croquis desenhos e, principalmente, lembranças, para homenagear o arquiteto, o designer e artista. O livro traz entrevistas e depoimentos, que ilustram  sua personalidade. As muitas fotos enriquecem a narrativa e atestam sua brilhante trajetória. Seu processo criativo partia de um “risco original” e seguiam-se experimentações com recortes, colagens ou telas “desconstruídas” em base em traçados geométricos.

 

O livro apresenta, ainda, uma seleção de azulejos, cujas séries homenageiam artistas queridos e ícones que Noel admirava.  Com elementos únicos e inéditos, a paleta de cores foi desenvolvida por Noel e sua equipe, sendo os azulejos fabricados em processo artesanal.

 

 

Para ler, reler e consultar, “O uso imaginário dos azulejos” relata a vida rica e produtiva de um ator e testemunha da Arquitetura e da Arte brasileiras do século XX. Noel Marinho fez parte de uma geração que participou intensamente da época áurea da arquitetura moderna brasileira.  Sempre destacou como incrível experiência ter integrado, ainda muito jovem, a equipe dos arquitetos Oscar Niemeyer e Lúcio Costa encarregada da construção de Brasília. Dinâmico, Noel sempre teve arte e design como atividades paralelas, além de um especial interesse pela integração do azulejo e do mosaico nos espaços estéticos de sua arquitetura. 

 

Em 2012, a partir da organização de desenhos arquivados há anos, Patricia o incentivou a dar continuidade às suas criações. Em 2015, foi idealizada a marca “Noel Marinho”, em sociedade com Manuèle Colas, com o objetivo de divulgar, promover e executar as composições de azulejos criadas por décadas. Foram reeditadas coleções dos anos 1960 e 1970, incorporando-se elementos gerados a partir dos anos 1990, com a curadoria da consultora de arte Heloisa Amaral Peixoto, no primeiro projeto da HAP Lab.

 

 

Embora Noel tenha falecido em 2018, aos 90 anos, o grande acervo inédito que deixou vai perpetuar seu talento e seu legado, elevando à categoria de obra de arte o azulejo e o mosaico, personagens semióticos marcantes na Arquitetura Brasileira.