A leveza do aço

O aço é o grande homenageado da próxima exposição do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), que entra em cartaz na semana que vem. Isso porque o museu vai destacar o uso do material na produção de esculturas de três grandes artistas brasileiros, de diferentes gerações: Amilcar de Castro (1920-2002), Franz Weissmann (1911-2005) e Waltercio Caldas (1946). A exposição “Força Precisão Leveza – aço e criação artística” propõe ao público uma reflexão sobre o uso do aço nas obras desses artistas, seus diferentes processos e abordagens, e de que maneira eles desenvolveram em seu processo inventivo questões como leveza, equilíbrio, geometria e matemática. 

Com curadoria de Franklin Espath Pedroso, as cerca de 30 obras importantes na produção dos três artistas ocuparão uma área de 1.800 metros quadrados no segundo andar do Museu. As obras não estarão separadas por artistas- o curador buscou aproximações sutis entre os trabalhos.

“São três artistas de diferentes gerações e com um rico universo, e reunimos pela primeira vez este conjunto de esculturas, em que o público poderá observar a versatilidade e o desenvolvimento deste material neste período da história da arte brasileira”, diz Franklin Pedroso. “Vale lembrar que todas as obras aqui reunidas tiveram origem naqueles elementos brutos e primários que, submetidos à ação transformadora da ciência e da indústria, resultaram em um elemento chamado aço, ao qual cada um desses três artistas conferiu nova e diferente significação através de seus respectivos processos criativos”. 

De Amilcar de Castro, estarão 11 obras, de tamanhos variáveis, a mais antiga delas de 1955: “Shiva” (1955), em ferro, 90x150x155cm, que há décadas não era vista em exposições. Nos jardins, projetados por Burle Marx (1909-1994), estará ainda uma escultura bem conhecida do público: “Sem título” (2000), de 240cm x 194,5 x 94 cm, doação do poeta e crítico Ferreira Gullar (1930-2016).

 “Sem título”, Amilcar de Castro (1956- 2000)  /foto: Vicente de Mello 

“Sem título”,  Amilcar de Castro (1964) / foto: Romulo Fialdini e Valentino Fialdini 

De Franz Weissmann estarão as obras históricas “Coluna concreta” (1951/2003), de 224 x 60 x 60 cm, um ícone da história da arte brasileira, e “Torre” (“Coluna neoconcreta I”, 1957), de 140 x 55 x 55 cm, além de “Sem título” (1957/2003), e outras das décadas de 1970, 1980 – como “Flor tropical” (1980) –, 1990 e a mais recente, “Espaço circular” (2004/2011), de 206 x 187 x 115 cm. Weissmann é o artista brasileiro com mais obras em espaços públicos. 

“Dois cubos em fita” , Franz Weissmann (década 1990 – 2001) / foto: Vicente de Mello

“Torre”, Franz Weissmann ( 1957)/ foto: Wilton Montenegro

De Waltercio Caldas estarão obras pouco conhecidas no Brasil, como “Mar de Exemplo” (2014), só vista no ano de sua criação no Sesc Belenzinho, em São Paulo, em aço inoxidável e acrílico, que ocupará uma área de 30m x 15m, e “O Incidente” (1995), nunca vista no Brasil. E complementam esculturas emblemáticas do artista que combinam aço inoxidável e fio de algodão ou lã, dos anos 1990 e 2000.

“O incidente”, Waltercio Caldas (1995) / foto: Divulgação

“Brancusi”, Waltercio Caldas (2014) / foto: Romulo Fialdini

“Força Precisão Leveza – aço e criação artística” será inaugurada no dia 09 de novembro no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e fica em cartaz até 02 de fevereiro de 2020 na Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo – Rio de Janeiro.