Estrangeiros na Casa Roberto Marinho

A programação cultural carioca vai dar uma esquentada essa semana. Na quinta-feira, 18 de julho, será inaugurada a exposição “Estrangeiros na Coleção Roberto Marinho”, com mais de 150 trabalhos de grandes nomes, como Salvador Dalí, De Chirico, Marc Chagall, Raoul Dufy e Fernand Léger. Dedicada à coleção Fadel, com curadoria de Paulo Herkenhoff; a mostra consolida o espaço como uma referência do modernismo, e dá oportunidade de lançar luz sobre artistas que não contaram com a mesma projeção de alguns dos artífices do movimento. A exposição possibilita ao público ver originais de importantes artistas, raramente exibidos no Brasil.

As obras são todas de artistas nascidos no exterior que o jornalista Roberto Marinho reuniu, de modo assistemático, obedecendo às oportunidades que o acaso lhe propiciava. O jornalista constituiu uma ampla reunião de arte brasileira com foco nos modernistas, seus companheiros de geração, e nos abstratos informais dos anos 1950 e 1960. 

Sobre a exposição, o diretor-executivo da Casa, Lauro Cavalcanti, escreveu:

Como exemplo desse pluralismo, na primeira sala convivem o abstracionismo expressivo da tela “monopigmentária” de Pierre Soulages,” a leveza dos trabalhos de Marc Chagall, a pintura metafísica do greco-italiano De Chirico, as ilustrações surrealistas de Salvador Dali, a geometria festiva de Sonia Delaunay e os trabalhos pós-cubistas de Fernand Léger – este último professor de Tarsila do Amaral. Telas seminais de Maria Helena Vieira da Silva, obra de Giuseppe Santomaso e a “pintura happening” de George Mathieu completam esse setor.

Jean-Baptiste Debret: “Armazém de carne-seca” (1834)

Nas demais salas o espectador encontrará os guaches de Raoul Dufy e os riscos poéticos de Jean Cocteau. Tapeçarias e óleo de Jean Lurçat, ao lado das telas de Maurice Utrillo, André Lhote, Maurice Vlaminck, Fillipo de Pisis e Mela Mutter, contemplam um gosto mais clássico, ao passo que a obra de Félix Labisse obedece a uma filiação surrealista. Uma têmpera sobre tela marca a presença de Marie Laurencin, única mulher do grupo cubista Section d’Or e companheira do poeta Guillaume Appolinaire.

Incluímos na exposição os estrangeiros que adotaram o Brasil como lar, a começar pelos desenhos a nanquim, do século XIX, de Giovanni Battista Castagneto. No século seguinte muitos se impuseram como importantes vozes da arte brasileira. Lasar Segall, Tomie Ohtake, Franz Weissmann, Frans Kracjberg, Yutaka Toyota, Joaquim Tenreiro, Maria Polo, Manabu Mabe e Roberto Moriconi poderiam ser chamados de artistas brasileiros que nasceram no exterior.

Um setor especial da mostra contempla um olhar estrangeiro sobre o Brasil no século XIX: as litogravuras aquareladas de Jean-Baptiste Debret, do álbum “Voyage pictoresque au Brésil” ou “Séjour d’un artiste français au Brésil”. Nestes 93 trabalhos o artista desempenha o papel de historiador, botânico, biólogo, zoólogo e etnógrafo. Alguns desses desenhos foram realizados na França, a partir de esboços colhidos aqui. Esse importante registro histórico nos oferece visões por vezes discutíveis, como a indumentária dos índios, e noutras embaraçantes ao flagrar a extrema desigualdade do último país a abolir a escravidão.

Lauro Cavalcanti, diretor-executivo da Casa Roberto Marinho

Viva!

A exposição fica em cartaz de 18 de julho a 27 de outubro na Casa Roberto Marinho, na R. Cosme Velho 1105, Rio de Janeiro.