Nouvel no Qatar

2022 está cada vez menos distante, e a Copa do Mundo do Qatar, consecutivamente, se aproxima. Com isso, o governo em Doha se apressa em inaugurar centros culturais e edifícios assinados pelos melhores arquitetos para mostrar ao mundo a potência do país. O mais recente exemplo disso é o Museu Nacional do Qatar, recém-inaugurado, com projeto de ninguém menos que Jean Nouvel. O arquiteto francês, ganhador do Pritzker em 2008, foi o escolhido para criar – com carta branca – esse que é dos mais importantes museus do país, responsável por guardar os tesouros da história nacional.

 Foto: Gaston Bergeret

“Quando se constrói um museu nacional, ele é a representação de uma nação, por isso, é preciso projetar com muita dignidade, é preciso respeitar a imagem da cultura do país”, ressalta Jean Nouvel.

Com esse desafio em mãos, o arquiteto arregaçou as mangas e foi… pesquisar. Isso mesmo. Para criar o projeto, ele quis entender os elementos que são característicos do país e da região para projetar um edifício que dialogasse com a terra e o povo. Isso porque diz estar cansado de ver prédios e arranha-céus uns iguais aos outros em vários lugares do mundo, sem nenhuma identificação com o local onde são construídos.

 Foto: Gaston Bergeret

“A arquitetura está sendo reduzida porque você tem muita arquitetura corporativa chegando aqui como em todas as cidades do mundo, sem relação com cultura ou clima”, acrescenta Nouvel. “A arquitetura está ligada à emoção, é uma arte para mim. Acho importante manter a arquitetura no campo da arte,” ele defende.

 Foto: PATRICK BAZ/AFP/Getty Images

Com isso em mente, Nouvel criou um edifício que toma como ponto de partida uma formação mineral chamada “rosa do deserto”, que ocorre naturalmente no solo arenoso da região. A simbologia dessa formação cristalina é traduzida em uma coleção de discos interligados que formam uma estrutura contendo espaços expositivos organizados ao longo de um loop de 0,9 milhas.

Simbolicamente, a arquitetura evoca o deserto, sua dimensão silenciosa e eterna, mas também o espírito de modernidade e ousadia que veio até o país e abalou o que parecia inabalável. Vale, sem dúvida, conferir. Que venha a Copa!