Miró no MoMA

A recém-inaugurada exposição do MoMA, em Nova York, “Joan Miró: O nascimento do mundo”, é um convite para sonhar. A mostra explora o desenvolvimento do universo pictórico de Miró, com particular ênfase no seu intenso envolvimento com a poesia, o processo criativo, a experimentação material e o mundo visível e invisível.

“Você e todos os meus amigos escritores me deram muita ajuda e melhoraram minha compreensão de muitas coisas ”, disse Joan Miró ao poeta francês Michel Leiris no verão de 1924, escrevendo da fazenda de sua família em Montroig, uma pequena aldeia situada entre as montanhas e o mar na Catalunha, sua terra natal. No ano seguinte, o intenso envolvimento de Miró com a poesia, o processo criativo e a experimentação material inspiraram-no a pintar “O nascimento do mundo”.

“O nascimento do mundo” – Joan Miró (1925)


Nesta obra, Miró cobriu uma grande tela aplicando tinta em uma surpreendente variedade de maneiras que lembram procedimentos poéticos. Em seguida, adicionou uma série de signos pictográficos que pareciam menos pintados do que desenhados, transformando a sintaxe quebrada, o espaço constelado e as imagens oníricas da poesia de vanguarda em uma forma de pintura radiantemente imaginativa e altamente inventiva. Mais tarde, ele descreveria esse trabalho como “uma espécie de gênese”, e seus amigos poetas surrealistas intitulavam-no “O nascimento do mundo”. A obra foi adquirida pelo MoMA em 1972 e é considerada uma das mais importantes do artista.


A partir da coleção inigualável do MoMA da obra de Miró, junto com outras obras emprestadas de coleções privadas e públicas importantíssimas, esta exposição situa “O nascimento do mundo” em relação a outras grandes obras do artista. É uma oportunidade única de ver essas obras nesse contexto.

A mostra apresenta cerca de 60 pinturas, obras em papel, gravuras, livros ilustrados e objetos – feitos principalmente entre 1920, ano da primeira viagem de Miró a Paris, e no início dos anos 1950, quando sua linguagem visual única tornou-se renomada internacionalmente – para lançar nova luz sobre o desenvolvimento de seu processo poético e universo pictórico.

“O caçador” – Joan Miró (1924)

“Hirondelle Amour” – Joan Miró (1934)

A exposição fica em cartaz até 15 de junho no MoMA – Museum of Modern Art – e promete ser um dos grandes blockbusters das artes visuais em Nova York nesta primavera. Recomenda-se a compra antecipada de ingressos.