Klee no Brasil

Centro Cultural Banco do Brasil faz história hoje ao inaugurar a maior retrospectiva do artista plástico Paul Klee da América Latina. Cem obras do suíço estarão em cartaz no CCBB São Paulo até abril, que depois segue viagem para o Rio de Janeiro em maio e para Belo Horizonte em agosto.

 

A única exposição dedicada anteriormente ao artista no país foi uma individual no Museu de Arte de São Paulo (MASP) em 1951. A atual, “Paul Klee – Equilíbrio Instável”, foi preparada exclusivamente para o público brasileiro com curadoria de Fabienne Eggelhöfer, do Zentrum Paul Klee, em Berna, na Suíça. São 16 pinturas, 39 papéis, 5 gravuras, 5 fantoches e 58 desenhos, além de objetos pessoais do artista. Algumas obras presentes são raramente vistas.

A mostra cobre todos os períodos de criação de Klee, da infância – um desenho a lápis e carvão retratando uma árvore de Natal (1884) – à maturidade – uma têmpera sobre papel colado sobre cartão que evoca uma paisagem noturna com duas montanhas e a lua cheia (1939). O curioso é que durante toda a carreira Klee transitou por diversos estilos, como o Cubismo, o Expressionismo, o Construtivismo e o Surrealismo. Por isso, não é possível apontar o seu legado artístico em nenhuma direção particular. Afinal, alcançou uma linguagem própria que reforça seu papel central na história da arte mundial.

 

Mas como esse ano é a comemoração do centenário do Bauhaus, vale ressaltar que Klee foi companheiro de Kandinski na escola alemã de arquitetura e design, onde lecionou a partir de 1921. Lá, ele disseminou suas teorias sobre a cor, e por isso é lembrado como um dos ícones do movimento. Na mostra um segmento de 1927 lembra as construções ortogonais de Mondrian.

 

 

Klee foi exilado na Suíça, por conta do contexto político na sua terra natal. As obras desse período são notavelmente mais violentas, em protesto ao nazismo. Há também muita influência das distorções cubistas de Picasso em suas últimas obras. Sua produção final foi comprometida por uma condição de saúde: Klee sofria de esclerodermia, uma doença crônica que levou a degeneração de seus órgãos, e o levou a óbito aos 60 anos.

 

“Paul Klee – Equilíbrio Instável” fica em cartaz no CCBB São Paulo até 29 de abril – na R. Álvares Penteado 112, Centro.