Os camaleões de Renata Adler

Finas colunas de madeira torneada que recebem diferentes formas e anéis de cores vão impactar o público da Casa de Cultura Laura Alvim e convidá-lo a pensar num mundo em constantes e profundas mudanças. São os “camaleões” de Renata Adler, artista carioca, escultora, que faz sua nova exposição individual no Rio, “Uma contínua transformação”, de 8 de fevereiro a 31 de março.

 

 Renata Adler (Foto: André Nazareth)

Por vezes, aparecem nestas esculturas elementos metálicos ou pequenos espelhos que vêm a interferir na sua verticalidade. Elas surgem do chão, caem em chuva do teto ou parecem perfurar muros, lembrando uma batalha de lanças.

Foto: Rodrigo Lopes

Nesta fase de Renata, as esculturas são criadas predominantemente com madeira, mas ela também usa aço, cobre e cerâmica. Ela respeita o “DNA” do material, mas a transformação faz parte da performance. “O nosso poder de transmutação é incrível, como os camaleões na metamorfose da cor, tudo em função da sobrevivência.  Nos meus camaleões, ouso evocar livremente a ‘Anima e Animus’ de que fala Carl Gustav Jung em sua obra ‘Eu e o Inconsciente’. Como artista, como mulher, falo aqui do meu lado masculino e de meu prazer de me confrontar com um trabalho físico de escultor, mesmo se no resultado final minha obra com suas madeiras torneadas e roliças, sublinhadas por anéis de cores pintados, seja francamente feminina,” explica Renata.

Foto: André Nazareth

                                                                                             

Em seu texto crítico, o curador da exposição Marc Pottier diz que “os “camaleões” de Renata compõem, pelas paralelas, perpendiculares e oblíquas que formam em sua apresentação, uma construção de retas, cujo ponto de fuga desaparece à vista do espectador, imergindo-o nesta exposição-instalação”.

Foto: André Nazareth

“As transformações propostas por Renata Adler fazem parte de suas interrogações artísticas e filosóficas: movimento, mudança, integração e sincronização, com todos os riscos e incertezas que produz este tipo de trabalho. O movimento tem um lugar essencial na ontologia aristotélica que a inspira, pois é através do movimento que o filósofo será levado a reconhecer “a diversidade das acepções do ser”, acrescenta Pottier.

A exposição se divide em ambientes brancos e claros e salas escuras, onde uma projeção numa tela tramada de bronze falará sobre o processo de transformação da água. A coordenação geral da exposição é de Kátia d´Avillez.

“Fragmento de um olhar” / Foto: André Nazareth

“Uma contínua transformação” será inaugurada no dia 7 de fevereiro e ficará em cartaz até 31 de março na Casa de Cultura Laura Alvim –  Av. Vieira Souto 176, em Ipanema. A entrada é gratuita.