Bauhaus sob 4 rodas

A Escola Bauhaus em Dessau, na Alemanha, está completando 100 anos. Foi lá que nasceu uma das maiores e mais importantes expressões do que é hoje chamado de Modernismo no design e na arquitetura – fora que foi a primeira escola de design do mundo. A escola funcionou apenas de 1919 a 1923, quando foi forçada a fechar com o crescente Partido Nazista. Mais tarde, mudou-se para Berlim sob o comando do terceiro e último diretor Ludwig Mies van der Rohe, onde ocupou um edifício de fábrica convertido. Hoje, a escola funciona como um centro de design, pesquisa e educação, e parte dela funciona como um hotel. Um museu será aberto no campus este ano, quando o prédio se torna o centro do festival 100 Anos Bauhaus.

São vários eventos para comemorar e celebrar os 100 anos de um movimento de vanguarda tão importante, e o A Cor da Casa destaca hoje um dos projetos inovadores que foi lançado para o centenário: o Wohnmaschine (em alemão, casa viva), ou também conhecido como Bauhaus Bus. O ônibus, moldado para parecer a Escola Bauhaus de Dessau, passará por quatro cidades durante o ano, com o objetivo de “desaprender” as atitudes eurocêntricas da influente escola. São elas Dessau e Berlim, na Alemanha, Kinshasa, na República Democrática do Congo, e Hong Kong, na China.

Projetado pelo arquiteto de Berlim Van Bo Le-Mentzel, o motorhome de 15 metros quadrados é criado à imagem da oficina icônica do prédio da escola Bauhaus em Dessau – um edifício concebido pelo diretor fundador Walter Gropius e construído em 1919 , para incorporar os princípios e valores fundamentais da escola. Ele apresenta as mesmas paredes de vidro quadriculadas que envolvem o edifício, assim como as famosas letras de um lado. Dentro há um espaço tipo apartamento, contendo uma área para abrigar exposições e oficinas, além de uma sala de leitura repleta de livros que registram a história e o legado da Bauhaus. O projeto, chamado Spinning Triangles, começou em Dessau agora em janeiro e na semana que vem segue viagem para Berlim, onde fica a Bauhaus-Archiv.

Durante a turnê de 10 meses, o coletivo de design Savvy Contemporary sediará uma série de simpósios e workshops que tentam desafiar e “desaprender” as atitudes coloniais em relação à modernidade, para desenvolver uma interpretação mais global dos ensinamentos da escola. “O design tem poder. Cria nossos ambientes, nossas interações, nosso estar no mundo. Vamos enfrentar as relações de colonialidade e design, bem como suas várias visibilidades e invisibilidades”, explicou a Savvy Contemporary.


A Wohnmaschine fica em Berlim até domingo, dia 27 de janeiro, para coincidir com o festival de abertura 100 Years Bauhaus, antes de chegar a Kinshasa para workshops entre 4 e 12 de abril. Cinco representantes das oficinas em Kinshasa viajarão de volta a Berlim para compartilhar suas pesquisas com 40 estudantes na sede da Savvy Contemporary entre 22 de julho e 18 de agosto. O objetivo é mostrar que “pode ​​não ser que não seja o sul que precise de desenvolvimento, e sim o norte”. Por fim, a escola se mudará para o espaço de arte de Para Site, em Hong Kong, onde discutirá mais sobre sua pesquisa.