Inspiração: Hugo França

O A Cor da Casa se inspira hoje na obra de Hugo França, artista plástico gaúcho conhecido pelo trabalho de esculturas mobiliárias, executadas a partir de resíduos florestais e urbanos. Seu trabalho ganhou ainda mais renome e projeção internacional ao assinar 130 bancos de madeira do Instituto Inhotim, em Minas Gerais. Mas há também peças suas no Parque Ibirapuera de São Paulo, na Lagoa Rodrigo de Freitas no Rio de Janeiro, e também em Nova York. Mas hoje, falaremos de um trabalho mais recente dele: uma criação inédita chamada “Escada Carvalho”, que está em uma casa em Itamambuca, em São Paulo.

Hugo se mudou para Trancoso, na Bahia, no início da década de 80 em busca de uma vida mais próxima da natureza. Foi lá que percebeu o grau de desperdício na extração e uso da madeira, vivência que pauta desde então o seu trabalho. As peças criadas pelo designer nascem de um diálogo criativo com a matéria-prima: tudo começa e termina na árvore. Ela é a sua inspiração; suas formas, buracos, rachaduras, marcas de queimada e da ação do tempo provocam sua sensibilidade e o conduzem a um desenho cuidadosamente escolhido, uma intervenção mínima que gera peças únicas.

Quando recebeu o convite para criar uma escada diferente para uma casa na praia no litoral de São Paulo, ele se sentiu desafiado e com a criatividade aguçada. Queria algo que fosse novo e, ao mesmo tempo, tivesse sua marca registrada: a natureza nua e crua como protagonista. Hugo sugeriu um belo tronco, que viesse de uma árvore que já estivesse caída, para servir de estrutura para o encaixe de degraus em seu entorno, compondo com harmonia e grandiosidade o projeto assinado pelo arquiteto Anderson Muniz.

E depois de um mês de buscas com a ajuda de um parceiro, morador da região, localizou, na Mata Atlântica, um Angico Preto monumental, com formas orgânicas e estrutura robusta. A madeira foi cortada nas proporções solicitadas, em torno de 10 metros de altura, e depois foi arrastada pela mata até chegar no lugar em que o caminhão Munk pudesse pegar.

A árvore, que estava caída pela região, entrou imponente na casa e ganhou nova função. A casa com estrutura metálica e linhas geométricas acolheu muito bem suas formas orgânicas, curvas dignas de uma escultura no centro da sala.

(Fotos: André Godoy)