Design & Educação

O A Cor da Casa se inspira hoje no projeto de Marcelo Rosenbaum em parceria com a Aleph Zero Arquitetura para uma escola no Tocantins. A escola da Fazenda Canuanã, na zona rural de Formoso do Araguaia, acolhe há 44 anos estudantes de localidades mais afastadas em regime de internato. São 780 estudantes, de 7 aos 17 anos, que chamam a fazenda de “casa”. O arquiteto paulista Marcelo Rosenbaum, através do Instituto a Gente Transforma, foi o responsável pela transformação nesse ambiente em um lar para as crianças. O sucesso do resultado pode ser medido pela quantidade de prêmios recebidos: o prêmio de Melhor Edifício de Arquitetura Educacional do mundo na categoria Arquitetura Educacional pela Arch Daily, o primeiro lugar no Prêmio de Arquitetura Instituto Tomie Ohtake AkzoNobel, a seleção para a Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza e o prêmio APCA 2017, da Associação Paulista dos Críticos de Arte, na categoria Obra de Arquitetura no Brasil.

 

A beleza da arquitetura em harmonia com o meio ambiente são o destaque das fotos tiradas por © Leonardo Finotti.

O projeto tinha como objetivo proporcionar mais conforto e privacidade aos alunos. “Nossa responsabilidade nesse projeto era fazer com que essas crianças não tivessem mais a sensação de que dormiam na escola. Tudo o que fizemos foi pensado para garantir a essas crianças a sua intimidade e privacidade”, conta Rosenbaum, que trabalhou com os arquitetos paranaenses Adriana Benguela e Gustavo Utrabo do escritório Aleph Zero.

fotos: © Leonardo Finotti

E para conseguir atingir essa meta, um longo e trabalhoso processo de pesquisa foi necessário, entrevistado as crianças para entender o que elas modificariam no espaço, e também visitando as casas de suas famílias para mapear elementos de identificação. Com isso, os dormitórios que antigamente acolhiam 20 beliches e 40 alunos, passou a receber apenas seis crianças, divididos em dois pavilhões – feminino e masculino.  “Para muitas dessas crianças, é a primeira vez que eles têm um quarto já que a maioria mora com os pais em casas de apenas um cômodo”, conta Ricardo Figueiredo, diretor da escola.

 

fotos: © Leonardo Finotti

Usando painéis de palha de buriti trançada – uma referência indígena- tijolos de solocimento que formam cobogós, chão de cimento queimado e madeira laminada, os arquitetos solucionaram os desafios impostos pelo clima da região. E para estrutura do prédio de 25 mil m², foi utilizada Madeira Laminada Colada (MLC), que vem de florestas plantadas em áreas de recuperação e permite a fabricação de peças de grandes dimensões.

fotos: © Leonardo Finotti

 

É um belo exemplo da arquitetura como ferramenta de transformação social.

Fotos: © Leonardo Finotti / www.leonardofinotti.com