Na Conde de Irajá

O novo restaurante do chef paranaense Alberto Landgraf se chama Oteque – um sufixo que designa “o lugar de”. Depois de um período sabático e de pesquisas, após sua saída do Epice, em São Paulo, o chef chega em Botafogo apostando na gastronomia de peixes e frutos do mar que privilegia o alimento, com pouca ou nenhuma presença de temperos.  A arquiteta Bel Lobo assina o projeto de arquitetura e iluminação do restaurante, que fica numa casa antiga da badalada Rua Conde de Irajá.

 

 

A entrada do Oteque é simples, como a de uma casa antiga, como muitas de Botafogo. Ao entrar, o cliente vê três ambientes: bar, salão e cozinha. Entre os dois primeiros, há uma porta de vidro com vinil jateado, para demarcar os dois momentos distintos. O salão é aconchegante – são apenas seis mesas, cada uma com dois a seis lugares, além da mesa do chef, com oito assentos. A cozinha da incrível Electrolux é aberta, pensada como um grande palco.

 

Um aquário posicionado no próprio salão traz uma variedade de frutos do mar frescos. As opções, como vieiras, lambretas, camarões, mexilhões e ostras de mangue, são enviadas vivas ao restaurante por fornecedores do Nordeste e de Angra dos Reis. Desde que saiu do Epice, Landgraf se dedicou a pesquisar o estilo de vida de pescadores de uma colônia no Rio. A partir dessa experiência, o chef decidiu priorizar peixes e frutos do mar no novo cardápio.

 

 

Uma das marcas do Oteque é a cozinha sustentável. Os utensílios, da Electrolux, apoiadora do chef no empreendimento, são 100% elétricos e não utilizam gás. Os processos foram planejados para que o melhor dos insumos fosse posto à mesa sem agressão ao ambiente. “Esse é o primeiro passo para apostarmos na tecnologia 100% solar, que já é realidade em outros restaurantes no mundo”, conta Landgraf. Uma espécie de churrasqueira japonesa também foi trazida para a cozinha. É feita com tijolo refratário japonês especial que retém bastante o calor. Isso evita que a parte de fora do equipamento se aqueça e que as pessoas se queimem.

 

Além de cada detalhe da cozinha, Landgraf acompanhou de perto a montagem da entrada e do salão, realizados pela equipe de Bel Lobo. “Ele (Landgraf) gostaria que fosse uma entrada simples, como uma casa antiga, com os ‘defeitos’ do tempo. Nosso cenotécnico entrou em ação e produziu essa entrada exatamente como ele queria”, detalha Bel. Para receber melhor o cliente, o Oteque pode adaptar a montagem das mesas e a iluminação do espaço, com o uso de trilhos. “Alberto já chegou com muitas ideias para esse projeto e foi muito participativo, mais do que qualquer cliente de restaurante que já trabalhamos. Ele sabia exatamente o que queria”, aponta a arquiteta.

Em forma de menu degustação, o cardápio do restaurante é modificado a cada semana ou a cada 15 dias. Alguns clássicos do Epice estão de volta, como a cebola assada com ouriço e creme de mexilhões, o sorvete de castanha crua, o alho-poró assado com vinagrete de tucupi e eventualmente o pé e a barriga de porco. A carne vermelha está presente, mas em menor quantidade. Não se trata apenas de escolher cortes ou pedaços específicos, mas de ter o insumo de boa procedência. O Oteque usa a carne de um boi pantaneiro criado no Mato Grosso do Sul, com certificação orgânica, para dar valor à produção de forma menos danosa ao ambiente.

 

Fotos: João Ferraz

Oteque fica na Rua Conde de Irajá 581, Botafogo. O menu de cinco tempos custa R$ 195, com harmonização com vinhos um acréscimo de R$ 150.