Athos 100

É na semana que vem que as comemorações oficiais pelo centenário de Athos Bulcão darão a largada! Com a intenção de propor um profundo mapeamento e imersão na diversidade dos trabalhos e técnicas do artista, a mostra “100 anos de Athos Bulcão”, oferece ao espectador a possibilidade de conhecer o processo de sua produção. Incluindo a exibição de obras inéditas, mais de 300 trabalhos de Athos, apresentarão ao público um amplo panorama de sua criação entre os anos 1940 e 2005, contextualizando sua obra e seu pensamento. A mostra começa no CCBB de Brasília e vai até outubro ocupando, os CCBBs de BH, SP e Rio.

Dividida em núcleos, “100 anos de Athos Bulcão” vai além da arte da azulejaria: destaca também a pintura figurativa do artista realizada nos anos 1940 e 1950, antes de Brasília. – A série dos carnavais e sua relação com a pintura sacra é extraordinária – afirma uma das curadoras, Marília Panitz, ao destacar que Athos utilizou uma mesma estrutura composicional para trabalhos sacros e profanos, citando como exemplo A Vida de Nossa Senhora, que está na Catedral de Brasília. A mostra contém ainda os croquis que Athos fez para o grupo de teatro O Tablado, do Rio de Janeiro, os figurinos das óperas Amahl e Os Visitantes da Noite de Menotti, paramentos litúrgicos modernistas, grande acervo de seu trabalho gráfico e até os lenços que desenhou quando estava em Paris.

– Combinando o viés cronológico com uma aproximação temática, “100 anos de Athos Bulcão” aposta nos vínculos, mais ou menos evidentes, entre diferentes momentos da trajetória do artista e se estrutura a partir de núcleos de obras e estudos que se interpenetram e deixam evidente a diversidade conceitual e material que permeia toda a obra de Athos Bulcão – afirma André Severo, um dos curadores da exposição.

Outro aspecto da exposição é a interatividade, desenvolvida a partir do caráter urbano e democrático da obra pública de Athos Bulcão inserida nas cidades. Através de um aplicativo criado especialmente para a mostra, o público será convidado a interagir e apropriar-se de projetos. Como num jogo, os azulejos de Athos poderão ser “colocados” em qualquer espaço como, por exemplo, a casa do “jogador”.

Para além da cronologia, e exposição contextualiza a trajetória de Athos Bulcão, a conexão entre suas obras e um adensamento em sua poética. Será possível visualizar seu caminho no Brasil e exterior, desde sua inspiração inicial pela azulejaria portuguesa, seu aprendizado sobre utilização das cores, quando foi assistente de Portinari, até as duradouras e geniais parcerias com Niemeyer e João Filgueiras Lima, o Lelé. Essa homenagem a Athos quer resgatar o valor individual dessa arte única que foi produzida no Brasil, sua importância no panorama da visualidade moderna, além da valorização, do reconhecimento para a manutenção da memória nacional.

“100 anos de Athos Bulcão” começa 16 de janeiro e vai até 01 de abril de 2018 no Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (SCES, Trecho 02, lote 22).