Miami Arts

Foi dada a largada para mais uma animada edição da Art Basel em Miami. A feira foi inaugurada ontem e vai apenas até domingo no Miami Beach Convention Center. Em sua 16a edição, a feira que é conhecida como a mais importante das Américas, reúne 268 galerias de 32 diferentes países. Entre elas, 19 são galerias brasileiras, sendo que três do Rio de Janeiro (A Gentil Carioca, Anita Schwartz Galeria de Arte e Silvia Cintra + Box 4). As demais são de São Paulo e Curitiba.

São Paulo é verdadeiramente uma potência na feira, dividindo atenção com importantes galerias internacionais. São elas: Vermelho, Galeria Luisa Strina, Nara Roesler, Galeria Millan, Mendes Wood DM, Galeria Leme, Fortes D’Aloia & Gabriel, Dan Galeria, Casa Triângulo, Luciana Brito Galeria, Bergamin & Gomide, Galeria Raquel Arnaud, Ricardo Camargo Galeria, Galeria Jaqueline Martins, Galeria Marilia Razuk. De Curitiba, a única e importante representante é a Simões de Assis Galeria de Arte.

A feira este ano apresenta uma nova planta baixa e organização espacial, oferecendo mais 10% de espaço de exibição para as galerias, e consecutivamente stands maiores e mais confortáveis, corredores mais amplos e uma maior oferta de espaços para descanso (lounges). Como nos anos anteriores, a feira é dividida em quatro setores: “Galleries”, “Edition”, “Positions”, “Nova” e “Survey”.

No setor “Galleries” participam 198 galerias que apresentam pinturas, esculturas, desenhos, instalações, fotografia e video-arte de excelência internacional. A paulista Galeria Leme participa pela primeira vez deste setor. No “Edition”, são 11 galerias participantes, mostrando o trabalho de artistas que trabalham com múltiplos. Já na “Positions”, as 14 galerias participantes apresentarão obras de um único artista, geralmente nomes novos no mercado global. A paulista Galeria Marília Razuk apresenta nesta seção o trabalho do artista plástico brasileiro Rodrigo Bueno. A “Nova” reúne 29 galerias que apresentam trabalhos recentes de até três artistas. Muitos dos quais tratam de temas políticos e sociais. Por fim, a “Survey” apresenta trabalhos feitos antes do ano 2000, e são 16 galerias participantes nesta parte da feira. A paulista Galeria Jaqueline Martins, por exemplo, apresenta o trabalho do brasileiro Roberto Matta (1911-2002).

Paralelo à feira, outros eventos importantes para o mundo das artes acontecem nas redondezas. Uma programação off-feira agita a cidade nessa semana onde os amantes da arte estão todos reunidos no mesmo lugar. Indiscutivelmente, além da feira, os happenings mais importantes são a reinauguração do museu The Bass, que foi reformado, e a inauguração do The Institute of Contemporary Art (ICA Miami). Ambos museus são dedicados à arte contemporânea e se juntam ao time de pesos pesados que agora populam essa cidade que está voltada para as artes. Além disso, a feira Design Miami, em sua 13a edição, também acontece nesta mesma semana, a poucos metros dos pavilhões da Art Basel. O tema da Design Miami é o design colecionável, e os maiores players deste mercado estão presentes.

Confira um preview do que três galerias brasileiras estão apresentando na Art Basel Miami 2017:

A Galeria Nara Roesler participa pela 15a vez da Art Basel. Com um stand no setor de mais prestígio da galeria, o “Galleries”, a galeria paulista (que também tem sede no Rio de Janeiro!) apresenta uma variedade de obras de brasileiros.

Abraham Palatnik, “Objeto cinético CK-8” (1966 / 2005)

Daniel Buren: “Prismas e Espelhos, alto relevos, trabalhos situados 2016/2017 para São Paulo”  (2017)

Tomie Ohtake, “Sem título” (1965)

A Anita Schwartz Galeria de Arte apresenta o trabalho de Nuno Ramos, na seção “Nova”.  Após reunir uma série de desenhos da série “Rocha de gritos” e pinturas em larga escala para sua individual “Grito e Paisagem” na galeria de setembro a novembro deste ano, Nuno Ramos apresenta “y Lucientes”, um projeto solo inédito em homenagem a Goya. A instalação é composta pelas 80 impressões das gravuras de Goya expostas à fumaça e à fuligem liberadas por uma solda de acetileno, “desregulada” de forma a soltar este estranho fumo. Trata-se, portanto, de desenhos únicos de fumaça e fuligem sobre gravuras, como monotipias, com atuações feitas pelo artista sobre o trabalho de Goya (o “y Lucientes” do título alude a isto). A fumaça negra impregna o papel como um gesto, mas não de tinta e sim de fuligem, cinzas, fumaça, detrito, como se as cenas de destruição e horror ganhassem uma nova materialidade, mais literal e similar ao que Goya retratou.

Nuno Ramos, “37 Esto es peor” (2017) – série “Los desastres de la Guerra”

Nuno Ramos, 72 Las resultas (2017) – série “Los desastres de la Guerra”

Também na seção “Galleries”, a paulista Luciana Brito Galeria – que recentemente abriu uma galeria em Nova York) apresenta obras dos jovens pintores: Tiago Tebet, Rafael Carneiro e Pedro Caetano – além de importantes artistas históricos fundadores do grupo Ruptura, como Geraldo de Barros e Waldemar Cordeiro. Estão disponíveis também alguns trabalhos especialmente selecionados da artista argentina Liliana Porter e do artista mexicano Bosco Sodi.

Rafael Carneiro, “Sem título” (2017)

Liliana Porter, “The Square / El cuadrado” (1973/2013)

A Art Basel Miami Beach  acontece até domingo de 12h-20h  no Miami Beach Convention Center, que fica na 1900 Washington Drive Avenue.