Beleza na Mesa

Capas de edredom que se transformam em belas toalhas de mesa. Potes de geleias que viram castiçais para velas. Latas de biscoitos que fazem as vezes de jarros de flores. Arames cobertos com hera em formato de corações que decoram cadeiras. Truques simples e inspiradores para se criar caprichadas decorações são a especialidade da designer Eliane Teixeira, que lançou ontem o  livro “Inspirations”, pela Editora Tamanduá. A publicação tem 300 páginas e mais de 500 fotos, de autoria dos fotógrafos André Nazareth e Priscila Jammal e do arquivo pessoal da autora.

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Eliane Teixeira, autora de “Inspirations”

Confira um preview das fotos e dicas de Eliane Teixeira no seu primeiro livro “Inspirations”:

Estilo e combinação de cores: “Costumo criar mesas em dois estilos – praiano, no apartamento do Rio, e campestre, em minha casa do Brejal. No primeiro caso, aposto numa paleta de cores neutras: garrafas de vidro transparentes, velas, castiçais de cerâmica brancos, corais. Na casa de campo, invisto em tons de madeira, com fibras, galhos, folhagens. Não fico escrava de ter tudo absolutamente combinando. Tento sempre usar o que está à minha volta, em vez de comprar acessórios. Tenho muitos vidros da Cadeg, latas de chá e garrafas de vinho de vários formatos que tiro o rótulo e viram jarros. Já transformei paninho de renda que foi da minha avó e toalha de piscina em caminho de mesa. Nessa época do ano, misturo pinha, limão siciliano”.

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Toalhas e jogos americanos: “Nas mesas mais urbanas, dou preferência aos jogos americanos. Apesar de serem mais despojados, eles permitem criar composições para todo tipo de situação. Além disso, são mais práticos, fáceis de limpar e de armazenar. Já na Serra, prefiro as toalhas, que podem ser lisas ou estampadas. Já montei mesas com capa de edredom, florida, para um dia bonito no campo, e até com papel Kraft. Neste caso, fiz um caminho de mesa largo, indo de uma ponta a outra, e usei louça branca e folhagem verde. Fica uma mesa linda e descontraída. Uma das composições que gosto é a de florais com listras: a toalha, por exemplo, pode ser florida e os guardanapos, com listras nas mesmas tonalidades. Na hora de escolher os tecidos, acho que quanto mais algodão possível, melhor. Se eu for fazer uma mesa mais formal, para a noite, uso linho e opto por menos cores. Branco com cáqui, por exemplo, fica muito elegante. Mas nada de tecidos brilhosos!”

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Louças e acessórios: “Gosto de pratos com informação, mas tento contrabalançar. Isto é, se você tem um prato maravilhoso, ou um faqueiro com um cabo diferente, essa tem que ser a estrela da mesa. O resto precisa ‘desaparecer’. É como se vestir: se estou com uma roupa estampadona, os acessórios têm de ser bem discretos. Se a roupa é bem básica e lisa, invisto nos acessórios. Na hora de escolher os acessórios, procuro o que tenho em casa. Potes de geleias que viram castiçais para velas. Latas de biscoitos que fazem as honras de jarros de flores. Arames cobertos com hera e moldados em forma de corações para decorar cadeiras. Compro argolas de cortina na Saara, que viram porta-guardanapos. Uma mesa de almoço pode ser criada com as frutas que se tem em casa – limão siciliano, cachos de banana, abacaxis inteiros, ficam lindos. Já fiz mesa com alface americana dentro de vidro e com buquê de temperos: alecrim, salsinha… Não tenho muita técnica e não acho que precise: vou na intuição”.

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Velas para o jantar: “As velas deixam o clima bastante charmoso, mas só uso na decoração para a noite, nunca durante o dia. Sempre evito as luzes de teto, gosto das luzes indiretas, de velas e abajures. Além disso, elas devem ser sem perfume, para não brigar com o aroma da comida. Só gosto das brancas e não censuro onde colocar, mas só acendo as que estão na mesa quando vou servir o jantar”.

Flores na decoração: “São várias as formas de incluir as flores na decoração da mesa. Uma flor que você usa de dia num vaso de palha pode ser aproveitada à noite, num vidro transparente, com uma vela ao lado. Não necessariamente você precisa das flores mais nobres. A palmeirinha que adorna sua mesa lateral pode ir para o centro da sua mesa. Uma flor que dura muito no Rio é a astromélia, e ela tem uma gama de cores infinita. Também uso muito as orquídeas, a cor que for. Para a noite, uso muito as orquídeas brancas. O importante é que não seja um arranjo alto demais a ponto de impedir que as pessoas se vejam enquanto estiverem compartilhando a refeição”.

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Cuidado com os excessos: “Os excessos são ruins para qualquer composição, e isso também vale para as mesas de jantar. Caso tenha dúvidas, lembre-se do velho lema do ‘menos é mais’. O melhor é começar aos poucos, valorizando uma coisa de cada vez. Se você coloca informação em tudo, o convidado fica atordoado”.

Planeje com antecedência: “Saiba a quantidade de pessoas, verifique se dispõe de louça suficiente para servir todos os convidados e também o espaço que cada convidado ocupará, para que todos fiquem confortáveis. Se você vai receber 20 pessoas, muito provavelmente não terá tantos lugares sentados à mesa. E ou faço um jantar com todos à mesa ou com todos espalhados pelos outros espaços. Neste caso, costumo fazer plaquinhas de mdf, ou de palha, ou mesmo capas de linho ou fustão para serem usados como apoio, no colo. Se não houver louças ou xícaras suficientes, tudo bem. Vale pegar as que sobraram de todos os aparelhos de jantar antigos. Hoje está na moda comprar uma xícara em cada lugar que se viaja. Pois eu sempre gostei disso, não gosto de tudo combinandinho”.

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