À Casa Torna

Após três anos aguardando ansiosamente a conclusão da reforma da sede, a Galeria de Arte Ipanema volta ao seu endereço adorado: a Rua Anibal de Mendonça 27. Com projeto de Miguel Pinto Guimarães, o prédio de quatro andares foi inaugurado ontem, dia 28, em clima de festa. Os diretores, Luiz e Luciana Sève – pai e filha- retornam portanto ao local que abriga a galeria desde 1972. E para comemorar esse novo momento, nada melhor do que uma bela exposição inaugural. “Raro Percurso – 52 anos da Galeria de Arte Ipanema” mostra a força do acervo da galeria, que atravessou mais de cinco décadas de arte. Serão exibidas cerca de 60 obras de mais de 50 artistas de várias gerações e diferentes pesquisas, expoentes da arte contemporânea e do modernismo.

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A fachada da nova Galeria de Arte Ipanema, por Miguel Pinto Guimarães (foto: Marco Rodrigues)

A exposição se inicia com seis pinturas cinéticas da famosa série “Physichromie” de Cruz-Diez (1923), que oferecem três diferentes conjuntos de cores de acordo com a posição do espectador: de frente, caminhando da esquerda para a direita, ou no sentido contrário.

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Cruz-Diez

Esses trabalhos se juntam a outros grandes nomes da arte cinética, como um óleo sobre tela da década de 1970 e um móbile dos anos 1960 de Julio Le Parc (1928); uma versão em formato de 55 cm da espetacular “Sphère Lutétia” (1996), uma das três obras de Jesús Soto (1923-2005) na mostra; uma pintura de mais de 1,60m da série “W” de Abraham Palatnik (1928), entre trabalhos de outros cinéticos, como o relevo de quase três metros de largura de Luis Tomasello (1915-2014).

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Julio Le Parc

Foto 4- Jesús SotoDe Sérgio Camargo (1930-1990) estão três significativos relevos em madeira pintada, e um deles, “Relief 13-83” (1965), participou da Bienal de Veneza em 1966, onde o artista tinha uma sala especial com 22 obras. De Waltercio Caldas (1946), integra a mostra a escultura “Fuga” (2009), esmalte sobre aço inox e lã. Um núcleo da exposição é composto por uma gravura de Richard Serra (1938), pela obra “Maquete para interior” (1955), de Lygia Clark (1920-1988), uma escultura em aço pintado de Franz Weissmann (1911-2005), uma escultura e uma pintura de Amilcar de Castro (1920-2002), duas pinturas de Aluísio Carvão (1920-2001) e dois trabalhos de Ivan Serpa (1923-1973). A “Pintura nº 355” (1991), do argentino Juan Melé (1923-2012), também integra a mostra.

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Jesús Soto

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Waltercio Caldas

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Richard Serra

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Franz Weissman

Quatro pinturas em têmpera de Alfredo Volpi (1896-1988) – uma dos anos 1960 e três da década seguinte – também estão na exposição, bem como conjuntos das famosas séries “Ripa” e “Bambu”, dos anos 1970, de Ione Saldanha (1919-2001), em têmpera sobre madeira.

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Alfredo Volpi

“52 anos – Um raro percurso” mostra óleos sobre tela dos anos 1960 e 1950 de Tomie Ohtake (1913-2015) e Manabu Mabe (1924-1997), dois artistas que participaram da exposição inaugural da Galeria Ipanema, em 1965. Arcangelo Ianelli (1922-2009), Abelardo Zaluar (1924-1987) e Paulo Pasta (1959) também têm obras na mostra.

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Tomie Ohtake

Outros grandes nomes da arte contemporânea que integram a exposição são: Frans Krajcberg (1921), Cildo Meireles (1948), Nelson Félix (1954), Antonio Manuel (1947) e Vik Muniz (1961).

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Vik Muniz

Luiz Sève teve um contato privilegiado com grandes artistas, entre eles sem dúvida está Di Cavalcanti (1897-1976), de quem são exibidas três óleos sobre tela. Outros grandes nomes do modernismo que estão na exposição são Portinari (1903-1962), com a pintura “Favela” (1957), Djanira (1914-1979), com “Sala de Leitura” (1944), e Pancetti (1902-1958), com “Farol de Itapoan” (1953).

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Di Cavalcanti

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Portinari

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Djanira

“Raro Percurso – 52 anos da Galeria de Arte Ipanema  inaugura hoje para o público e fica em cartaz até 23 de dezembro, com entrada franca, na R. Aníbal de Mendonça, 27, Ipanema.
Horários: 10h às 19h, de segunda a sexta, e das 11h às 15h, aos sábados.