Slow Living na CASACOR Rio

A 27ª  edição da CASACOR Rio foi inaugurada na semana passada, encantando a todos que já visitaram a mostra. Situada no edifício comercial Aqwa Corporate, grandioso projeto do escritório londrino Foster + Partners, a CASACOR Rio apresenta diferentes jeitos de viver em 38 espaços assinados pelos mais renomados arquitetos, decoradores e paisagistas do Rio de Janeiro. Hoje o A Cor da Casa revela o conceito Slow Living, que é tendência em vários espaços da mostra, como a “Ilha Alta”, o “Loft Cosmopolita”, o “Espaço Tem.po”, o “Repouso do Consultor de Arte”, o “Lounge do Conhecimento” e o “Tempo Perdido”.

A cada dia, o conceito conhecido como Slow Living tem feito mais parte da vida das pessoas. Com origem no Slow Food, esta prática tem o objetivo de criar um estilo de viver com mais equilíbrio, paz e direcionado a um modo de consumo sustentável. E, sem dúvida, essa proposta não ficaria de fora do mundo da decoração. No Slow Living, a quantidade de itens e acessórios é minimizada, priorizando o que é essencial, sustentável e durável − não à toa, o tema da mostra esse ano. O conforto e a rusticidade elegante surgem como um escape a tanta tecnologia e impessoalidade. O algodão cru, os tons clarinhos, tecidos naturais e desenhos orgânicos trazem a sensação de suavidade que nos completa.

“Ilha Alta”, por Mario Santos

Uma ilha no alto de um prédio com privilegiada vista do Rio de Janeiro. Uma vida com

menos pressa e mais equilíbrio, menos consumo e mais experiências. Esse é o conceito do loft que Mario Santos cria, numa parceria com a Booking.com: um ambiente  fantástico e sensorial, que oferece para o visitante-hóspede o acolhimento que ele jamais sonhou existir. O loft, com 140 m², é todo construído dentro de brises de madeira ecológica, formando uma ilha sobre um espelho d’água, na cobertura do prédio. Ao entrar no espaço, o visitante se depara com um grande corredor, com uma projeção de uma raia de piscina com nadadores em movimento − obra da fotógrafa e artista Maritza Caneca − e tem a sensação de estar caminhando sobre a água.

“Loft Cosmopolita”, do coletivo Sartore Arq Etc (Alessandro Sartore, Arthur Falcão, Fabiana Gonçalves e João M. Schiewe)

A busca por um lugar que fosse em qualquer lugar. Os profissionais globalizados, que moram em vários lugares do mundo ao mesmo tempo, foram a inspiração para o projeto do coletivo, que criou um loft com espaços integrados, uso compartilhado de funções e design versátil e adaptável para qualquer lugar e tamanho de espaço no mundo. Os arquitetos dispensaram todas as paredes do prédio e criaram um núcleo dentro de seu espaço, com piso de madeira, onde estão todos ambientes do loft. Os serviços − cozinha, banheiro e armários − estão concentrados em uma ilha central, com pintura cimentícia.  O morador pode bater a porta e partir para seus outros destinos no mundo.

“Espaço Tem.po”, por Luiza Bottino e Valeska Ulm

Com a belíssima vista para a Baía de Guanabara que o espaço de estar de 70 m² é brindado, a dupla propõe um momento de pausa e reflexão. A narrativa acontece no diálogo entre o passado e o presente e é traduzido na escolha de peças de antiquário, carregadas de histórias, combinado com móveis brasileiros contemporâneos assinados por José Zanine Caldas, Zanini de Zanine e Hugo França, que sintetizam em suas criações o valor pelo “feito à mão”. E numa região onde ficavam os armazéns que guardavam sementes, frutas, café e o que mais chegava e saía nos navios, elas trazem para o Tem.po três jabuticabeiras, a árvore que dá a fruta que só tem no Brasil.

“Refúgio do Consultor de Arte”, do Studio 021 (Paula Wetzel e Camila Simbalista)

Inspiradas num personagem do livro “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust, Paula Wetzel e Camila Simbalista criaram um refúgio onde o morador trabalha, relaxa, recebe amigos e reúne seus objetos pessoais mais estimados. Na história, o bon vivant tio Adolphe, apreciador da arte, de vida social intensa, decide, em busca de privacidade e para evitar atritos com a numerosa família, constrói para si um espaço na casa principal, que o autor chama de “gabinete de repouso” O estúdio de 38,7 m² se estrutura a partir do trabalho de marcenaria, uma marca do trabalho do Studio 021. Seguindo a filosofia de primazia do conteúdo sobre a forma, as arquitetas procuram valorizar as obras de arte dentro de um espaço pensado não apenas para exposição das peças, mas privilegiando a ligação que o personagem tem com elas.

 “Lounge do Conhecimento”, por Patricia Fendt

Um gabinete de curiosidades. A expressão que designa lugares onde, durante a época das grandes explorações e descobrimentos, se colecionava objetos raros tanto da biologia como das realizações humanas, inspirou Patrícia Fendt a criar seu espaço, com arquitetura minimalista, tons de cinza e branco e muita madeira. Num primeiro momento, o lounge de 56 m² tem teto rebaixado e é mobiliado com uma grande bancada, banquetas Girafa de Lina Bo Bardi e, nas duas paredes laterais, estantes cheias de livros e artefatos curiosos coletados em viagens pela pessoa que habita aquele espaço. Sobre a bancada, livros antigos, mapas e manuscritos. Em seguida, surge o pé-direito alto do prédio. Nesse espaço, há um sofá central em L − grande e sem encosto − e uma luneta. A ideia é que os visitantes possam usufruir da vista, explorar a cidade. Para Patrícia, seu lounge é um lugar de acúmulo de memórias. O ambiente inclui ainda uma poltrona de leitura, quadros e fotos de artistas contemporâneos, esculturas. Agora, o espaço não está mais no passado e sim misturado no tempo.

“Livraria Tempo Perdido”, por Leandro Neves.

Uma leitura poética da relação do homem com a leitura. Daí o nome “tempo perdido”. O projeto, de uma livraria, tem a premissa de desconstruir um ambiente tradicional comercial, conferindo ao espaço uma pegada de lounge. O layout foi pensado para que o contato com o livro aconteça de forma espontânea: pegar um título e folhear, dialogando com o ambiente, seja num sofá, em poltronas, na mesa ou até mesmo de uma forma mais despojada, num banco. A maior parede do ambiente foi revestida com uma grande estante, que ocupa toda sua extensão, tendo um vão central, que é a entrada do espaço. Este vão é um convite ao universo da leitura, uma passagem da circulação da mostra para dentro do espaço, passando pelos livros de uma forma poética, adentrando dentro de cada micro universo que cada livro leva dentro de si.

A CASACOR Rio de Janeiro fica em cartaz até 30 de novembro, de terça a domingo, das 12h às 21h, no AQWA Corporate -Av. Oscar Niemeyer, 2.000 – Porto Maravilha.