De Volta Às Raízes

A 17a edição do pavilhão de exposições temporárias da Serpentine, que é construído a cada verão por um arquiteto renomado diferente nos jardins de Kensington de Londres, será inaugurado hoje. Esse ano o convidado de honra da Serpentine Gallery é o africano Diébédo Francis Kéré, conhecido pelo trabalho voltado para o lado social e sustentável da arquitetura. Ele construiu uma estrutura que remete à sua infância no vilarejo de Gando, em Burkina Faso, que vale a pena conhecer não só pela beleza arquitetônica como pela riqueza cultural expressada pela obra.

O arquiteto, a frente do escritório Kéré Arquitecture, se inspirou em uma árvore de sua terra natal onde as pessoas se reúnem para realizar atividades cotidianas sob a sombra. O pavilhão tem um objetivo semelhante ao empregar uma grande cobertura de madeira que se expande sobre uma estrutura de aço, imitando a copa das árvores. O interessante é que nos dias de chuva, um óculo central irá captar a água e transformá-la em uma cachoeira, simbolizando a sua importância para a vida da humanidade. Nove mil litros de água poderão ser coletados e usados para irrigar o parque de Kensington e seus jardins.

 

 

 “Minha experiência de crescer em uma aldeia remota do deserto incutiu uma forte consciência das implicações sociais, sustentáveis ​​e culturais do design. Acredito que a arquitetura tem o poder de surpreender, unir e inspirar, ao mesmo tempo que intermedeia aspectos importantes como a comunidade, a ecologia e a economia”, conta Kéré, que divide seu tempo entre seus escritórios em Gando e Berlim.

À noite, a estrutura ficará iluminada – as chapas perfuradas darão movimento, chamando a atenção de quem a avista de longe. “Na minha aldeia natal é sempre fácil localizar uma festa à noite, basta subir num terreno mais alto e procurar a fonte de luz na escuridão. Desta forma, o pavilhão vai se tornar um farol, um símbolo de contação de histórias e união”, descreve Kéré.

A escolha desse tom de azul não foi por acaso. No vilarejo onde o arquiteto foi criado, a tradicional vestimenta de festas era azul, precisamente nesse tom índigo-blue, usada para todas as ocasiões especiais. Dessa forma, Kéré sente que está não só apresentando o seu trabalho para o público, mas dividindo elementos de sua rica cultura.

 

Edições anteriores do pavilhão da Serpentine foram desenhadas por Peter ZumthorFrank GehryHerzog & de Meuron e Sou Fujimoto. A do ano passada foi assinada por Bjarke Ingels. O pavilhão de Kéré  fica aberto ao público de hoje até 08 de outubro, nos jardins de Kensington, em Londres.