Uma visita à Frieze New York – Joy Ernanny

Durante uma breve visita à Nova York, recebi um convite tão inesperado quanto irrecusável: visitar a feira de arte internacional Frieze no dia do preview, antes que as portas se abrissem para o público geral. Acompanhada de um historiador de arte de Nova York e um galerista contemporâneo de Los Angeles, embarquei na balsa gratuita que leva os visitantes de Manhattan até a Randall’s Island, uma ilhota pouca conhecida que sedia a feira há seis anos.  

Línguas e sotaques de diferentes países estavam presentes na balsa e o ambiente já era eletrizante. A curta viagem de dez minutos em si já é um programa divertido por si só, pois a vista da bela selva de concreto de Manhattan ganha um brilho especial quando vista do rio. Inevitavelmente tiramos milhares de fotos para registrar aquela bela tarde ensolarada de quinta-feira, dia 04 de maio de 2017.

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Chegando na feira, uma bela surpresa logo de cara. Qual é o primeiríssimo stand pelo qual os visitantes se deparam? O da galeria paulista Nara Roesler, que destaca artistas contemporâneos americanos que trabalham a interatividade na arte. Rostos e sorrisos cariocas e paulistas recebiam o público calorosamente, de uma forma que só brasileiros sabem fazer.

Ainda sob o impacto da recepção brasileira na Frieze, logo observei que o número de galerias do país na feira era impressionante. Além da Nara Roesler, estavam presentes diversos pesos pesados do mercado de arte brasileiro como a Vermelho, Silvia Cintra + Box 4, A Gentil Carioca, Mendes Wood, Luisa Strina, Marilia Razuk e outras. Não cheguei a fazer uma verificação empírica, mas tenho razões para acreditar que o número de galerias brasileiras ultrapassa o número de galerias europeias presentes. Meu amigo galerista observou: “o mercado da arte não necessariamente acompanha o mercado em geral. Seu país pode não está indo muito bem, mas as galerias certamente não estão sofrendo! ”

De toda forma, a maioria das 200 galerias participantes eram americanas. Depois da nossa primeira hora de visita, ficou claro que havia ali um tema bastante presente em diversos stands de galerias americanas. Como no Brasil, a discussão de raça e racismo nos Estados Unidos também está em alta. Era notável a presença em massa de obras da comunidade artística negra. Sendo ainda mais especifica, eram muitas as obras cujo sujeito principal eram mulheres negras – seja na pintura ou na fotografia. Meu amigo historiador que ressaltou: “ é impressionante como já vemos resultado do movimento Black Lives Matter aqui dentro da Frieze. Espero que a moda pegue e que esses artistas incríveis negros passem a ser mais valorizados. ”

Foram muitas as obras que por diferentes razões me tiraram o fôlego. Depois de uma não tão consciente triagem, reuni aqui as que mais me fizeram perder a cabeça:

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“Bigger”, por Marina Adams (2016)

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“Black & Ice”, por Lorna Simpson (2017)

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por Milano Chow

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“Portrait of Thermometer”, por Farhad Moshiri  (2013)

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“Compound Leaf”, por Toyin Ojih Odutola (2017)

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“Made Visible by Delay”, por Philippe Decrauzat (2017)

Para saber mais sobre a Frieze New York visite o site da feira , que esta em sua sexta edição em Nova York.