Refúgio Urbano

Nos inspiramos hoje em uma casa que é verdadeiramente integrada em seu habitat natural. O projeto do escritório Lamas, de Brasília, prevalece os tons, as sombras e a paisagem do nosso cerrado. Localizada a 10 minutos do Congresso Nacional, a Casa 28 é um refúgio do corre-corre agitado da capital brasileira. E mais: o projeto foi pauta na influente revista inglesa de design e arquitetura Dezeen.

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Com sua equipe, o arquiteto Samuel Lamas criou a Casa 28 em uma área de 850.0 m2, sempre pensando na sustentabilidade do projeto. A água pluvial coletada é direcionada para um reservatório subterrâneo que serve à irrigação do jardim durante a seca. A água da residência e a piscina são aquecidas por painéis solares durante o ano inteiro. As janelas basculantes dos cômodos permitem constante ventilação cruzada e dispensam o uso de ar condicionado. A luz natural também permite ambientes claros durante o maior tempo possível. Além disso, os janelões  posicionados leste este e as paredes norte sul, permitem um efeito dramático da luz natural durante o amanhecer e pôr-do-sol.

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O paisagismo foi pensado como uma extensão da mata com árvores nativas e massas de arbustos que florescem por todo ano para atrair pássaros. No jardim central, uma Eritrina Mulungu, conhecida como árvore coral, traz frequentemente para o hall de entrada, a visão de um tapete de flores vermelhas. Sob uma antiga árvore Jatobá, se encontra a piscina retangular revestida com mármore branco Espírito Santo. É uma piscina de conversação, com um banco em toda sua extensão e ladeada pelo deck de madeira.

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Já no interior, Samuel Lamas escolheu peças desenhadas pelo próprio, além de mestres do design nacional e internacional. Móveis e obras de arte modernas e contemporâneas convivem lado a lado em perfeita harmonia. Entre os destaques, criações de Sergio Rodrigues, Tenreiro, Geraldo de Barros, Zalszupin, Jean Gillon, Lúcio Costa, Lina Bo Bardi, Irmãos Campana, Vico Magistretti, Achile Castiglioni, Antonio Bonet, Charles Eames e Pollock.

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As cores da paisagem encontram continuidade nos materiais: o piso de ladrilho hidráulico e paredes revestidas de fulget tem a cor da terra avermelhada do cerrado. As esquadrias e o forro de ipê, confirmam a sensação de pertencimento ao local. A estrutura metálica da cobertura e os pergolados em ferro corten também se mimetizam na vegetação.

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É um projeto que além de nos fazer admirar as belezas do cerrado, também nos lembra que Brasília é muito, muito mais do que deputados engravatados no Plenário.

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Fotos: Haruo Mikami