Arte Olímpica

Um grande evento esportivo merece grandes atrações culturais. E é claro que não poderia ser diferente numa cidade de tantas riquezas culturais como o Rio de Janeiro. Adriana Varejão, uma das artistas plásticas brasileiras mais importantes – e que além do mais é carioca – não poderia estar de fora da festa Rio 2016. A ela foi encomendada uma reprodução para envolver o Estádio Aquático Olímpico, na Barra da Tijuca.

A escolha da artista não poderia ser mais adequada, que selecionou “Celacanto provoca maremoto”, exposto em Inhotim, Minas Gerais. A obra da carioca de 51 anos, concluída em 2008, lembra azulejos portugueses, e seu nome foi inspirado em uma pichação nos muros do Rio de Janeiro na época da ditadura militar que intrigava a artista. Varejão descobriu que a pichação era obra de adolescentes que se inspiraram em uma frase declamada por um cientista louco do seriado japonês National Kid. Celacanto é um peixe já em extinção. O curador e crítico de arte Paulo Herkenoff se refere à obra como uma “calculada arquitetura do caos, onde se destrói uma ordem e se constrói uma desordem”. A reprodução é tão real que a reação do público muito provavelmente será de tocar nos azulejos projetados.

A artista plástica carioca Adriana Varejão

Varejão é ao mesmo tempo uma escolha óbvia e não-óbvia para a execução desse projeto. Da mesma forma que é uma artista que trabalha muito o imaginário aquático, ideal para o Estádio Aquático, é também alguém que provoca e incomoda ao questionar através de suas obras histórias sangrentas e desconfortáveis da colonização portuguesa. Os elementos do barroco sempre presentes em suas telas trabalham o contraste entre o belo e o grotesco. Nessa obra específica, Varejão provoca a sensação de vertigem, como se a pessoa estivesse imersa num mar de ondas barrocas.

O pavilhão da artista em Inhotim, Minas Gerais

Em breve, mais notícias da programação cultural da Rio 2016 aqui no A Cor da Casa!