Burle Marx em Foco

Ele é um dos mais influentes paisagistas do século XX, mas seu trabalho primoroso ainda é pouco conhecido fora do Brasil. Mas, pelo menos, há um movimento para mudar isto. Roberto Burle Marx é o grande destaque de uma exposição no Jewish Museum, em Nova York. 

o grande Roberto Burle Marx (1909-1994) 

A exposição destaca o trabalho de Burle Marx não só como paisagista mas também como pintor, escultor e designer de joias, tecidos, cenário teatral e figurino. E não é só: Burle Marx também fazia cerâmicas, pintava vitrais, colecionava arte, cozinhava maravilhosamente e era um botânico e ecologista autodidata. Um homem a frente de seu tempo que deixou um legado precioso para a posterioridade. 

O artista-multi abraçou o modernismo no início do movimento nos anos 30, assim que começou a ser desenvolvido no Brasil. Ao abolir a simetria e rejeitando a flora importada do modelo europeu, Burle Marx revolucionou o conceito de paisagismo no Brasil. Usando elementos abstratos e explorando a vegetação local ele diminuiu o gap existente entre a natureza e a humanidade.

Ao longo de seus sessenta anos de carreira, projetou mais de dois mil jardins pelo mundo e descobriu cerca de cinquenta espécies de plantas. Por essa razão e outras, é até hoje fonte de inspiração para as gerações atuais. A exposição mostra inclusive o trabalho de sete artistas latino americanos nascidos após 1950 que usam e abusam de conceitos de Burle Marx em seus trabalhos: Beatriz Milhazes, Juan Araujo, Paloma Bosquê, Dominique Gonzalez-Foerster, Luisa Lambri Arto Lindsay e Nick Mauss. 

“Roberto Burle Marx: Brazilian Modernist” fica em cartaz até 18 de setembro no Jewish Musem, na 1109 5th Avenue, em Nova York. Depois disso, a exposição viaja para o Deutsche Bank KunstHalle de Berlim e em seguida para o Museu de Arte do Rio (MAR).