Além da ótica

“Em vez da verdade, o movimento” é a nova exposição individual de Patricia Thompson que inaugura nesta quarta-feira na Galeria Cor Movimento. Apaixonada pelas grandes metrópoles do mundo e admiradora de grandes mestres da fotografia minimalista japonesa, Patricia mostra nessa exposição fotos tiradas na sua primeira visita à Ásia. Serão expostas 23 fotografias, de cidades como Tóquio, Nova York e Amsterdã – 20 inéditas, e também trabalhos já consagrados nas Bienais de Roma, Florença e Triennale di Assisi.

 

 

Utilizando uma Leica M 240, sua fotografia possui um mínimo de manipulação. A formalização de suas obras se dá através de técnicas como tempo longo de exposição, desfoque, a incorporação de sombras e reflexos. Patricia, inclusive é reconhecida pela marca Leica, e a exposição recebe um selo de qualidade da marca e curadoria de Vivian Mocellin.

 

O resultado são obras multidimensionais, ambíguas, que representam um diálogo entre a geometria e a abstração, através de um constante exercício de ver além daquilo que é imediato. Fotografando grandes metrópoles urbanas, Patricia faz visível uma dimensão da realidade que não corresponde necessariamente à sua dimensão ótica, mas a algo que está para além dela. Ela conta ao A Cor da Casa mais detalhes sobre esse mais novo trabalho, confira!

 

BATE PAPO COM PATRICIA THOMPSON

 

1. CONTE-NOS COMO VOCÊ DESENVOLVEU ESSA PAIXÃO/INTERESSE POR GRANDES METRÓPOLES URBANAS.

Morei um ano em Londres e depois seis anos em Nova York. Essa minha assinatura fotográfica, um diálogo entre a geometria e a abstração, se encontra em grandes metrópoles. Cenários de multiplicidade visual e materiais modernos e espelhados, como vidro e alumínio. Assim, consigo ir a busca de fusões visuais que criam uma ambiguidade visual. Não se trata de capturar o tempo e o espaço como eles são, mas de ir além da primeira aparência.     

 

Esse projeto nasceu em Nova York, uma cidade que continua sendo um solo fértil para mim depois de tantos anos. Mas senti a necessidade de me aventurar e desafiar com o desconhecido, então decidi passar duas semanas sozinha no Japão para produzir para essa exposição. Foi minha primeira experiência na Ásia e a viagem mais emocionante que já fiz. 

 

 

2. AS CIDADES TAMBÉM FORAM TEMA DA SUA EXPOSIÇÃO “CITY LIGHTS”. COMO ESSA NOVA MOSTRA É DIFERENTE? 

“City Lights” foi todo produzido em NY, um projeto fotográfico sobre iluminação noturna. NY é uma cidade cosmopolita culturalmente, então quis descontextualizá-la dando títulos que remetiam a outras grandes metrópoles: “Like Shanghai”, “Like Hong Kong”, “Like Paris”, etc… Essa mostra é diferente pois tem outras cidades protagonistas (Tóquio, Naoshima e Amsterdam).

 

3. EXPLORAR OS LIMITES DA GEOMETRIA E A ABSTRAÇÃO ME PARECE SER UM TEMA RECORRENTE NO SEU TRABALHO. A QUE ISSO SE DEVE?

Esses temas são minha poesia, me hipnotizam. 

 

 

4. COMO É TRABALHAR DE FORMA ANALÓGICA HOJE EM DIA, NUM MUNDO COMPLETAMENTE DIGITALIZADO?

Eu fotografo com a melhor câmera digital, manualmente. Nada do equipamento é automático, portanto mastigado. Preciso conquistar todas minhas imagens. Todo mundo é fotógrafo no automático nos dias de hoje. Fotografo com a Leica M 240 e uma 75mm f/2. A Leica é a melhor qualidade ótica que se pode ter, e ter o reconhecimento deles na minha exposição é uma grande honra e conquista pessoal. 

 

 

5. COMO DEFINIR O TEMA DA EXPOSIÇÃO, “EM VEZ DA VERDADE, O MOVIMENTO”, PARA QUEM NÃO CONHECE SEU TRABALHO?

Minha intenção não é registrar o espaço e tempo de uma forma concreta. Essa primeira impressão da verdade estática, tal como o concretismo e a geometria. Mas se você pensar sobre a essência das coisas, é paradoxal porque teoricamente, ela é uma unidade absoluta, sólida. Mas a verdade é que a essência é o movimento; é essa energia fluida que se dá entre o encontro do eu e o outro, as coisas as cidades… O encontro é construído na subjetividade desse movimento. 

 

A exposição “Em vez da verdade, o movimento”, de Patricia Thompson, inaugura dia 26 de agosto na Galeria Cor e Movimento, que fica na Rua General Urquiza 67 loja 7. Fica em cartaz até 31 de setembro.