Nasce uma nova vila carioca

O A Cor da Casa conta hoje como foi feita a restauração da Villa Aymoré, a histórica vila que vai receber a Casa Cor Rio deste ano e que, por pouco, não desapareceu. Construída no início do século 20 para a burguesia da época, a Villa Aymoré teve uma juventude cercada de glória e uma velhice marcada pelo abandono. Foram anos difíceis. A última das dez casas geminadas chegou a ruir completamente. Da primeira, não foi possível sequer encontrar vestígios. E a perspectiva dos outros oito imóveis não era muito melhor. Abandonados, estavam em péssimo estado. E só o que se via eram ruínas.

 

A Vila Iracema em registro da década de 1990. Última das dez casas geminadas, ela ruiu completamente e foi reconstruída agora

 

Mas, em 2010, a história desta senhora centenária e imponente começou a mudar. Adquirida pela Landmark Properties, a Villa Aymoré passou por um processo de restauração e renovação que trouxe de volta o esplendor daqueles tempos. Foi um processo longo que vem sendo tocado desde 2011 pela Raf Arquitetura e executado pela  Lafem Engenharia – e acompanhado de perto por arqueólogos e pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade. Afinal, as casas geminadas fazem parte da Área de Proteção do Ambiente Cultural (Apac) da Glória e do Catete e estão num dos primeiros pontos ocupados da cidade.

 

A fachada da Villa pela Raf Arquitetura

 

Em sua nova vida, a Villa Aymoré cresceu. Além das casas geminadas, foi incorporado ao projeto o prédio do antigo Hotel Turístico, localizado na entrada da rua de acesso à Villa; e construído um novo prédio, o Edifício Baronesa, que ganhou o contorno da montanha e cobogós numa arquitetura contemporânea pensada para abraçar o estilo eclético das casas. Uma área total construída de nove mil metros quadrados.

 

O Edifício Baronesa e seus cobogós

 

“Foi uma renovação completa. Afinal, criamos uma nova identidade para aquela construção”, diz Anibal Sabrosa, diretor-sócio da Raf e um dos responsáveis pelo projeto. “Nossa missão era adaptar as casas para um novo uso, totalmente diferente, de forma que isso fosse viável comercialmente para a Landmark. Mas era preciso também respeitar o passado e a história daquele lugar”, completa.

 

Fachadas recuperadas de duas das casas da Villa

 

Além da total recuperação das fachadas ecléticas, as casas passaram por um retrofit que incluiu novas instalações e o reforço de suas estruturas. Internamente, a deterioração era grande em quase todas as casas. Apenas a 7 e a 8 estavam em melhor estado. Por isso, o patrimônio determinou que tudo o que pudesse ser aproveitado – madeiras, lambris, escadas e esquadrias que estavam em bom estado – deveria ser usado nesses dois imóveis. Hoje, são os únicos em que as escadas são de madeira, por exemplo.

 

Escada em madeira reaproveitada em uma das casas que estava em melhor estado

 

“Dessa forma, foi possível fazer um registro não só externo, mas também interno de como eram as casas”, conta Anibal.

Não que elas sejam iguaizinhas. Tanto na fachada como nas plantas internas, há pequenas diferenças entre elas que tornam todo o conjunto ainda mais interessante. Detalhes que poderão ser conferidos durante a Casa Cor Rio, que acontece de 1 de setembro a 4 de outubro.