As escolhas deles

Eles são unânimes. Não há projeto favorito.  “A gente sempre prefere os últimos”, diz Andrea Chicharo. “Os projetos são como filhos”, alega Anna Luiza Rothier. “Todos são inesquecíveis”, garante Márcia Muller. Mas o A Cor da Casa não desiste fácil e conseguiu que alguns dos profissionais que fizeram ambientes ao longo dos 25 anos da Casa Cor Rio acabassem escolhendo, entre suas muitas participações, aquela de que mais gostam. Hoje, contamos alguns deles. E, na semana que vem, tem mais.

É verdade que não foi assim tão simples. Maurício Nóbrega, por exemplo, fez uma votação em seu escritório para eleger o favorito. Venceu o Living de 2005. Ambientado num casarão histórico no Catete, o espaço chamava atenção pela arquitetura: grandes janelões de madeira e vidro em paredes descascadas que mostravam as pedras originais da construção emolduravam um espaço contemporâneo, recheado de obras de arte modernas e peças bastante atuais num put-together com alguns móveis antigos. Foi um sucesso.

A turma do escritório de Maurício Nóbrega elegeu o Living de 2005, no Catete, como o melhor do arquiteto na Casa Cor Rio

A paisagista Anna Luiza Rothier voltou ainda mais no tempo… a 1996 e escolheu o projeto feito para o caminho que ligava a casa, em Santa Teresa, às áreas públicas da Casa Cor.

“Incluí no caminho, pedriscos de granito cinza, imitando as praças que existiam outrora, e como ele era muito estreito, criei esculturas vazadas com as plantas que permitiam ver a vista lá do alto. Na parte mais larga, que ficava na saída do restaurante, ainda montei um pátio que foi usado como ponto de espera para os clientes que aproveitavam o clima agradável para tomar alguns drinks”, relembra Anna.

Anna Luiza Rothier escolheu o projeto de 1996, em Santa Teresa

Já Márcia Muller não precisou ir tão longe. Ela elegeu a Sala de Banho feita na Casa Cor Rio do ano passado. E o que pesou em sua escolha foi o lado afetivo. Foi a primeira vez que assinou com sua filha, Manu Muller, um ambiente no evento.

Para Márcia Muller o melhor foi trabalhar com a filha Manu, no ano passado, quando fizeram uma Sala de Banho

Para Andrea Chicharo, o ponto forte do Quarto do Rapaz – projeto que ela fez em 2010 no Palacete Modesto Leal -, foi a mistura de materiais. Paredes de tijolinho escuro com painéis em madeira, laqueados coloridos, pedras nas paredes descascadas da edificação.

“Ficou um ambiente moderno e descontraído. E, para completar, usamos móveis de design, bicicleta, skate, enfim, um quarto de um rapaz bem carioca”.

Andrea Chicharo escolheu o Quarto do Rapaz, também de 2010, como seu melhor projeto

Já o espaço de Gisele Taranto, em 2012, eleito por ela como seu favorito, era quase o oposto. Magnífico, e carregado de história, trazia um desafio e tanto.

“A questão ali era manter o espaço praticamente como o encontramos justamente para não perdermos estas riquezas de informações”, lembra Gisele.

Gisele Taranto não esquece o Living, de 2012, num casarão na Rui Barbosa

 A solução foi fazer pequenas, e charmosas, intervenções que foram chamadas de “costuras poéticas”. Uma abertura de parede foi fechada com livros, o piso em tábua corrida foi recomposto com réguas de aço corten, alguns buracos nas paredes foram “fechados” com folhas de livros, usados também para unir o rodapé antigo com o novo. E o ambiente ainda ganhou uma série de móveis contemporâneos. Uma mistura tão diferente que ficou marcada. Para Gisele e para todo mundo que visitou o espaço aquele ano.