Mãos à obra: os desafios de reformar as sedes da Casa Cor

Esse ano, nossa casa já está pronta. E linda! Mas quase nunca é assim. Em 25 anos, já ocupamos prédios tombados, palacetes, lançamentos imobiliários. E, quase sempre, precisamos reformar, renovar, adaptar o espaço para nos receber. Derrubamos tantas paredes e engolimos tanta poeira que daria até para fazer uma Casa Cor inteirinha…

2011: uma grua é usada para ajudar o operário a restaurar detalhes da fachada do Palacete Lineu de Paula Machado, em Botafogo

Que o digam as Patricias, Mayer e Quentel, e a Bel Paranaguá. São elas que todos os anos acompanham as obras desde o primeiro momento, para que no fim, fique tudo lindo e perfeito como você vê. Do arquiteto de braços cruzados esperando a autorização dos órgãos de patrimônio para tocar a obra até o cano estourado no teto poucos dias antes do início do evento, elas já enfrentaram de tudo um pouco nesses 25 anos. O A Cor da Casa bateu um papo com esse corajoso trio sobre os desafios das reformas e relembra algumas das histórias mais curiosas.

2012: operários trabalham na reforma de um dos ambientes do antigo Hotel Sete de Setembro, na Avenida Rui Barbosa, no Flamengo

 “O hall do palacete Lineu de Paula Machado era o ambiente mais suntuoso da casa, lindíssimo. O Caco Borges queria fazer ali um jogo de luz e cores, todas neutras, mas em vários tons. Nas colunas, lembro que ele queria usar a tinta “biscoito caseiro”… (risos). Mas o patrimônio achava que ia descaracterizar. Como o Jorge Hue, que tinha sido um dos primeiros arquitetos a trabalhar naquela casa para os Paula Machado, era nosso consultor naquele ano, coube a ele dar um veredicto sobre as cores e conversar com o patrimônio. No final, deu tudo certo e o espaço ficou maravilhoso. Mas, foram dias com o pintor do Caco parado, sem poder fazer nada”, lembra Patricia Mayer.

O Grande Hall do Palacete Lineu de Paula Machado deu trabalho a Caco Borges. Seu pintor ficou dias esperando o parecer do patrimônio sobre a cor escolhida para as colunas do suntuoso ambiente

As reformas nos imóveis com algum tipo de tombamento são, sem dúvida, as mais complexas. Em 1995, a fachada do casarão no Catete precisou ser pintada duas vezes para se chegar ao tom original. Em 2001, quando a Casa Cor aconteceu no palacete Julieta de Serpa, os órgãos de patrimônio acompanharam tudo, já que o casarão tem muitos detalhes arquitetônicos em cada cômodo: pisos diferentes, sancas, cerâmicas. Para fazer a Sala de Banho, por exemplo, Andréa Menezes e Franklin Iriarte precisaram “encaixotar” o banheiro para criar ali um ambiente contemporâneo sem danificar as cerâmicas que revestiam o espaço, que era tombado.

Em 2001, foi preciso “encaixotar” o revestimento original do banheiro para proteger o ambiente que era tombado. Projeto de Andréa Menezes e Franklin Iriarte

“A gente precisa se adaptar sempre. Em 1999, no Hotel Marina, o elevador só ia funcionar para o evento. Então, durante a obra, era aquele mundo de gente subindo e descendo 18 andares de escada carregando tudo. Uma confusão”, lembra Bel.

E ainda tem aquelas surpresinhas desagradáveis que todo mundo que já fez obra sabe bem como são… em 2004, poucos dias antes do evento abrir ao público, um cano estourou no teto do ambiente decorado por Solange Medina. Era água para todo lado. Por sorte, os objetos não foram danificados. Mas foi uma correria só para dar tempo de refazer o gesso e repintar todo o ambiente.

Em 2004, um cano estourou no teto do ambiente de Solange Medina a poucos dias da abertura do evento. Mas, tudo foi resolvido a tempo

“Foi bem tenso. Mas deu tudo certo”, diz Bel.

Ainda bem!