Villa Aymoré: uma joia da arquitetura carioca

São tantos os mistérios e lendas que cercam a eclética Villa Aymoré, na Glória, que nem mesmo as pesquisas arqueológicas realizadas no local nos últimos anos foram capazes de desvendar. Mas uma coisa não é mais segredo para ninguém: a Villa está restaurada e será aberta ao público durante a Casa Cor Rio 2015. E o blog A Cor da Casa conta para vocês um pouquinho da história tão peculiar desse pedacinho charmoso do Rio Antigo.

 

Fachada reformada do imóvel construído na primeira década do século XX, mas com características típicas do estilo eclético que reinou nos anos 1800

Construída entre 1908 e 1910, a Villa tinha, então, dez casas geminadas de alto padrão. Uma arquitetura típica do já finado século XIX, com estilo eclético e linhas finas, elegantes. Eram casas para a burguesia da época. Uma delas – a primeira – ruiu há muitos anos e não foi possível encontrar nenhum vestígio da construção. Das outras nove, sabemos até os nomes, todos indígenas, como os primeiros habitantes do Morro da Glória, os índios tupinambás: Guarany, Tamoyo, Tupy, Juruna, Kiriri, Carijó, Moema, Goytacaz e Iracema. Durante anos, as casas ficaram abandonadas. E a Villa Iracema acabou também ruindo.


A Villa, ainda durante a restauração, vista da Rua da Glória

Em 2010, a Landmark Properties adquiriu as edificações históricas e começou a restaurá-las para abrigar ali espaços corporativos. O projeto ficou a cargo dos craques em retrofit da Raf Arquitetura, que além de restaurar as casas que ainda estavam de pé, construiu no lugar da primeira edificação, uma casa contemporânea. Sorte dos cariocas que, com a Casa Cor, terão a oportunidade de conhecer por dentro a Villa e um pouquinho de suas lendas.

 Interior já reformado de uma das casas que compõem a Villa Aymoré, na Glória

Diz uma delas, que teria sido ali, na alameda de mesmo nome, que morava a Baronesa de Sorocaba, irmã da mais famosa das amantes do imperador, a Marquesa de Santos, e também amante de Dom Pedro I. O imperador, dizem, saía para “rezar” e usava um caminho de pedras entre o Outeiro da Glória e a rua onde está a Villa para visitar a baronesa sem levantar suspeitas.
Mito ou verdade? Parte do tal caminho de pedras foi encontrado durante a reforma da Villa. O resto entra para o rol das deliciosas histórias cariocas que vão continuar circulando pelas ruas do Rio através dos tempos.