Em família: os Bernardes na Casa Cor

O sobrenome deles é Bernardes, mas bem que poderia ser arquitetura. Afinal, são três gerações fortemente ligadas à arte de criar, construir, decorar, encantar. E, que bom!, o caminho da Casa Cor Rio também cruzou com a família Bernardes… várias vezes. É o que o A Cor da Casa conta hoje.

O primeiro encontro foi, ainda em 1991, com Cláudio e seu parceiro, Paulo Jacobsen, o Cecedo. Os dois trataram de imprimir seu talento e sua marca numa pequena pérgola. Já estavam lá elementos hoje muito ligados à brasilidade como o bambu, usado no teto, e a pedra, no piso. 

Brasilidade de Claudio e Cecedo já estavam presentes na primeira edição da Casa Cor Rio, em 1991

Três anos mais tarde, foi a vez de Sérgio. Foi numa casa modernista projetada por ele, no Leblon, que aconteceu o evento de 1994. E, claro, Claudio e Cecedo também estavam lá assinando o living – uma escolha feita pelo próprio Claudio. O resultado não poderia ser mais impactante. Quando poucas pessoas ousavam na cor, Claudio e Cecedo optaram por pintar a parede principal do espaço de pink. E o teto de vermelho. E ainda arremataram a decoração com um enorme quadro igualmente multicolorido. Não havia quem passasse incólume pelo ambiente.

Casa Cor 1994: Claudio e Cecedo assinam living multicolorido na casa projetada por Sérgio

“O Claudio adorava aquela casa. E quando o convidamos para participar da Casa Cor daquele ano, ele disse que só faria o living”, lembra Patricia Mayer, organizadora da mostra carioca ao lado de Patricia Quentel.

A casa projetada por Sergio e concluída em 1952 foi premiada na Bienal de Veneza de 1955 e é até hoje exemplo de boa arquitetura

Claudio e Cecedo ainda fariam mais três participações juntos. Em 1995, assinaram o quarto do casal. Em 1997, a cafeteria. E, em 1998, o hall do Hotel Marina, onde aconteceu a mostra naquele ano.

Em 1997, Claudio e Cecedo usaram persianas no teto da cafeteria para permitir a entrada de luz natural e melhorar a ventilação do espaço

No início dos anos 2000, foi Thiago quem entrou em cena. O novo parceiro de Cecedo, após a morte prematura de Claudio num acidente de carro, fez sua primeira participação em 2002. No ano que a Casa Cor aconteceu num imóvel projetado por Oscar Niemeyer na década de 1950, Thiago, Cecedo e Miguel Pinto Guimarães ficaram responsáveis pelos pilotis da residência.

Os pilotis da residência de Niemeyer decorados por Thiago Bernardes, Cecedo e Miguel Pinto Guimarães

 Já no ano seguinte, o desafio foi um pouquinho maior. Coube a Thiago e a Cecedo projetar a única casa construída até hoje para sediar a Casa Cor Rio. Erguida em estrutura metálica com grandes panos de vidro, a residência ficou pronta em tempo recorde e está lá até hoje. Porque a boa arquitetura é imortal.

A casa construída em 2003 no Itanhangá especialmente para abrigar a Casa Cor