Lia e os livros

Foi em 2000 – e lá se vão 15 anos – que a arquiteta Lia Siqueira fez sua primeira biblioteca para a Casa Cor Rio… e foi dentro de uma sala de jantar. Ela não imaginava – nem a gente -, mas esse foi apenas o primeiro passo numa longa caminhada que une Lia e os livros, como o A Cor da Casa conta hoje.


A biblioteca-sala de jantar criada por Lia para a Casa Cor 2000, em São Conrado

Paixão por eles, a arquiteta sempre teve. Assim como pela marcenaria. Não à toa, as estantes são sempre parte importante de seus projetos. Em 1991, elas já estavam presentes na sala de estudos feita por uma Lia iniciante, que chegou a ganhar menção honrosa do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB). Em 1997, as estantes voltaram a aparecer na mansarda decorada por Lia como um escritório.

A mansarda decorada por Lia se torna um escritório, na Casa Cor que ocupou duas casas na Praia do Pepê

Mas foi naquela desenhada em 2000, para a Casa Cor que aconteceu em São Conrado, que os livros começaram a ganhar mais destaque. Parte da estante existe até hoje e está na casa de uma cliente, na Gávea. Sabendo que a peça ia morar no seu quarto, ela chegou a fotografar a arrumação da estante na mostra para manter em sua casa.

A parte da estante que foi comprada por uma cliente

No ano seguinte, a Casa Cor ocupou o palacete Seabra, onde hoje está a Casa Julieta de Serpa. A arquitetura neoclássica francesa e imponente com salões de pé-direito altíssimo parecem ter inspirado Lia a ousar. Como era preciso manter a boiserie de mogno e jacarandá do espaço, Lia criou uma justaposição de planos de estantes e prateleiras que otimizou o espaço. No alto, bobinas de papelão de Nido Campolongo foram usados como nichos para guardar mais livros e ocupar toda a altura da sala. Foi um sucesso.

Nichos em papelão sobre a estante feita com justaposição de prateleiras fizeram sucesso em meio à imponência da Casa Julieta de Serpa, em 2001

Em 2006, no Horto, nova ousadia: a estante Nômade. Pensada para a pessoa que tem muitos livros, mas está sempre mudando de endereço, ela podia ser fechada e transportada, sem retirar os livros. Uma ideia tão boa que acabou sendo lançada no mercado pela Etel Carmona.

A estante “Nômade” criada em 2006 por Lia para a Casa Cor

O resultado de tanta dedicação aos livros e à marcenaria? Em 2011, Lia criou uma casa-biblioteca no Jardim Botânico. A missão foi encomendada pelo editor Pedro Corrêa do Lago, que precisava de espaço para guardar, e expor, seus 10 mil livros. A solução dada por Lia foi erguer um anexo, com 83 m², colado à construção já existente, o que permite o acesso à biblioteca por qualquer um dos três andares da casa. O projeto também foi premiado pelo IAB e o A Cor da Casa já tinha falado dele. Confere lá.

A casa-biblioteca de Pedro Corrêa do Lago, projeto premiado em 2011 pelo IAB