Intimidade musical

Depois de três décadas de sua concepção, o Parc de La Vilette em Paris foi inaugurado no norte de Paris. O projeto, que é um complexo musical, teve início no governo de François Miterrand mas só ganhou forma, cor e conteúdo agora em janeiro. O grande destaque é a Philharmonie, com projeto arquitetônico do celebrado Jean Nouvel, e uma refinada acústica do escritório neozelandês Harshall Day Acoustics. A orquestra de Paris e o Ensemble Intercontemporain serão os dois principais residentes da Philharmonie.

Com 340 mil pássaros de alumínio que cobrem as formas arquitetônicas do prédio, e uma vista panorâmica disponível do topo da torre de 37 metros, já vale uma visita mesmo de quem não tem interesse pela música.

 Jean Nouvel criou um ambiente pensando na intimidade musical – ou seja, o espectador se sente verdadeiramente acolhido na sala de 2400 lugares, como se fosse o único a ouvir um concerto particular. Um dos elementos que possibilita isso é a proximidade física do espectador da orquestra. São apenas 32 metros de distancia, inferior a media de 40-50 metros em outras salas.

 

Em janeiro já se apresentaram famosos como Lang Lang, e em março há previsão de uma grande mostra sobre David Bowie. No segundo semestre, uma exposição sobre o pintor Marc Chagall e sua relação com a música. Sinais bons que coisas inovadoras vem por ai, atraindo um público mais jovem e antenado com gêneros musicais que não só a música clássica.

Mas nem tudo é harmonia na Philharmonie. Mesmo antes de sua conclusão, o projeto vinha se destacando na mídia pelos 386 milhões de euros que custou para o cofre francês. E como se não bastasse, ainda gerou polemica quando o próprio Jean Nouvel, meticuloso e perfeccionista como sempre, não compareceu a inauguração alegando que foi aberto antes da hora.

De toda forma, a obra prima está belíssima e em pleno funcionamento, adicionando ao skyline de Paris mais uma joia rara.

A Philharmonie de Paris fica na 221 Avenue Jean Jaurès, 75019.