Soto em Alta

Quando o então jovem venezuelano Jesus Soto expôs em Paris pela primeira vez, no Salon de Mai em 1954, sua obra pouco impactou o público A arte cinética, criada naquele tempo, ainda era algo muito novo e abstrato, e os críticos não valorizavam aquele tipo de trabalho. Hoje, 60 anos depois, o mesmo Jesus Soto é reverenciado em Paris – onde está atualmente em cartaz na Galerie Perrotin- e ao redor do mundo.

O artista venezuelano Jesus Soto (1923-2005)

Ainda mais especial, é que a exposição “Chronochrome” está paralelamente em cartaz na filial nova-iorquina da Galerie Perrotin. É a primeira vez na história que a galeria exibe o mesmo artista simultaneamente em Paris e Nova York.

Em Paris: “Pénétrable BBL bleu”, 1999

Em Paris: “Doble progresión azul y negra”, 1975

Com 60 obras produzidas entre 1957 e 2003, a exposição agrega peças do acervo do artista e de colecionadores privados importantes. O curador é Matthieu Poirier, que também fez a curadoria da exposição de arte cinética “Dynamo” na Galeries Nationales du Grand Palais e a retrospectiva de Julio Le Parc no Palais de Tokyo em 2013.

Uma das salas de exposição em Paris

O titulo da exposição, “Chronochrome”, remete a exploração cinética presente no trabalho de Jesus Soto – onde a cor vira um fenômeno vibratório que brinca com a nossa percepção de tempo e espaço.

Uma das salas de exposição em Nova York

Não é  de hoje que Soto e outros artistas cinéticos sul-americanos como Julio Le Parc e Carlos Cruz-Diez estão em alta. Os trabalhos dos artistas são cada vez mais valorizados pelo mercado de arte. Inclusive, o público brasileiro está entre os importantes compradores de arte cinética nos leilões. É possível afirmar que o mundo vive essa redescoberta internacional da arte cinética, que por muito tempo foi ignorada pelo público como uma arte inferior.

Em Nova York: “Untitled, (Mur bleu)”, 1966

 “Chronochrome” fica em cartaz na Galerie Perrotin em Nova York (909 Madison Avenue) até dia 21 de fevereiro, e em Paris (76 Rue de Turenne) até 28 de fevereiro.