A Céu Aberto

Em tempos de pós-luxo, o circuito Elizabeth Arden não arranca tantos suspiros quanto antes de quem viaja a procura de arte. Os verdadeiros connoisseurs querem cada vez mais experiências únicas e especiais, viajando quilômetros sem fim em busca do novo. Nesse caminho, notamos a presença de museus a céu aberto localizados em cidades pouco conhecidas. Longe dos centros comerciais e turísticos, são esses locais que atraem um público crescente a cada temporada. O A Cor da Casa apresenta hoje alguns desses tesouros que estão, de certa forma, escondidos em partes remotas do mapa – começando a história por Inhotim, chegando do outro lado do planeta, em Naoshima, no Japão.

Inhotim, já muito comentado por aqui, dispensa grandes apresentações. É sem dúvidas o museu a céu aberto mais importante da América do Sul, com uma coleção impar de arte contemporânea. Localizado em Brumadinho, perto de Belo Horizonte, numa cidade até então desconhecida, o museu nasceu do sonho do empresário e colecionador Bernardo Paz de transformar seu acervo pessoal em obra de visitação pública num dos mais belos jardins do país. A presença equilibrada de artistas nacionais e internacionais faz da visita em terras mineiras uma verdadeira volta ao mundo.

Inhotim – Brumadinho (MG), Brasil

Na Franca, uma iniciativa nessa linha vem causando frisson desde sua inauguração há pouco mais de três anos. É o Chateau La Coste, um mix de parque cultural e vinícola a poucos quilômetros de Aix-en-Provence. Para resumir bem a história, os pavilhões são assinados por Frank Ghery, Norman Foster e Renzo Piano, e as adegas por Jean Nouvel. O espaço é repleto de obras de mestres como Alexander Calder, Tunga, Oscar Niemeyer, Richard Serra, Jean Prouvé e por ai vai. Precisa dizer mais?

Chateau La Coste – Le Puy-Sainte-Réparade, França

Do outro lado do mundo, temos o australiano MONA (Museum of Old and New Art). Escondido na distante e preservada ilha da Tasmânia, o museu- que é também um hotel- ocupa oito pavilhões para lá de contemporâneos, cada um projetado por um arquiteto local, com suítes decoradas com obras de arte.

MONA -Tasmânia, Austrália

Já o japonês Hakone Open Air Museum, perto de Fuji, é o maior museu ao ar livre no país. É o verdadeiro exemplo dos japoneses como pensadores avant-guarde, pois o museu é de 1969, antes de qualquer “moda” de museu desse gênero começar. São ao todo 120 obras espalhadas pelos jardins, além de centenas de trabalhos temporários que são exibidos a cada estação. Um pavilhão inteiro é dedicado a Picasso, onde estão reunidas 300 obras do artista, entre cerâmicas, pinturas, gravuras, esculturas e objetos de ouro e prata. Entre os outros destaques estão obras de Rodin, Boudelle, Miró e Henry Moore.

Hakone Open Air Museum – Hakone, Japão

Ainda no Japão, o Benesse Art Site, na ilha de Naoshima, atrai curiosos por suas particularidades. Além de museu, é também hotel e galeria. O acervo permanente é feito com trabalhos site-specific, assinados por artistas que lá ficaram hospedados e que deixaram suas marcas pela ilha – no local escolhido pelos próprios. Entre outros, na ilha há intervenções de Yayoi Kusama, Keith Haring  e Cai Guo-Qiang. Sua arquitetura clean faz com que as obras ressaltem ainda mais.

Benesse Art Site- Naoshima, Japão

O roteiro, por hora, acaba por aqui. Já já desbravaremos outras partes do mundo para contar mais novidades.