A la mode

Paris acaba de encerrar mais uma temporada de desfiles, onde as grandes Maisons internacionais apresentaram suas coleções para a primavera e verão de 2015.  Aplausos após aplausos ecoaram pelos quatro cantos da cidade, que a cada ano vê os desfiles se tornarem ainda mais grandiosos e espetaculares. Entre as milhares de grifes que pisaram por solos parisienses, algumas se destacaram por darem um passo além da moda. O A Cor da Casa selecionou três grifes que brilharam por dialogar com arte, politica, tecnologia, arquitetura e lifestyle. Acredite!

 Louis Vuitton

Esse foi provavelmente o desfile mais esperado da temporada. Afinal, foi a estreia de Nicolas Ghesquière como estilista da Maison, após a saída de Marc Jacobs ano passado. Além disso, o desfile aconteceu em um parque, na frente do museu Fondation Louis Vuitton, projetado por Frank Ghery, que será inaugurado no fim do mês. Ghesquière encantou a todos ao colocar figuras andrógenas projetadas em painéis espalhados pela sala para apresentar o desfile. O mote foi que a coleção levaria a todos da sala para uma viagem longínqua, sem que ninguém precisasse se mover. A mistura de tecidos como couro, tricô, veludo molhado e camurça, deu a sensação de um retrô-moderno, que transcende gerações. Os cortes retos e arquitetônicos marcaram forte presença no desfile, ao lado de muitas peças de couro- marca registrada de qualidade da grife. Nas palavras do estilista, a ideia não foi lançar tendências, pois ele queria penetrar mais profundamente no guarda-roupa de diversas mulheres. Missão cumprida…

Kenzo

Transparências, design gráfico, jeans e rendas. Nesse clima cool e otimista, a Kenzo desfilou em Paris entre rampas de skate e painéis com cenas de ondas, por do sol, e imagens aceleradas de Nova York e Tóquio. Na entrada um avatar chamado Knola cumprimentava a quem entrava em várias línguas. Os jovens designers da marca, Humberto Leon e Carol Lim, souberam com muita classe assumir a Kenzo desde que deixou de ser comandada por Kenzo Takada. A pegada mais jovem e despojada, com menos estampas coloridas, e mais peças urbanas, cativou a todos. Segundo eles, o avatar da Knola representa exatamente a visão de mundo que eles tem para a marca, onde eles enxergam um cliente multicultural, multiétnico e poliglota. A coleção apresentada na passarela desta temporada, é prova disso.

Chanel

O Grand Palais vibrou com o desfile da Chanel. O local, afinal, pede grandes eventos, e Karl Lagerfeld não decepcionou. Recriando dentro do espaço um ambiente de Maio de 68, ano em que estudantes e trabalhadores ocuparam as ruas da França em clima de revolução, o desfile tomou corpo de protesto. A data marcou uma época, e estará pra sempre no imaginário coletivo como um ano que chacoalhou e provocou o sistema. Em vez de gritar frases de efeito contra o capitalismo, consumismo e instituições, Lagerfeld levantou a bandeira feminista no desfile.  Afinal, a marca Chanel foi criada muito em cima do principio da mulher que trabalha, vai a luta- mas sempre com charme e estilo. Com calças pantalonas, estampas psicodélicas e símbolos da paz, as modelos marcharam com firmeza e determinação. O tom de anos 70  misturado com toques contemporâneos cativou a todos, deixando a mulher feminina apesar de estar usando cortes tradicionalmente masculinos. Um desafio que só os craques dominam.