O pai da pop art

Quando pensamos na pop art internacional, é difícil manter nomes como Andy Warhol ou Roy Litchenstein fora dos pensamentos. Afinal, são as obras dele que ficaram estampadas em nossas memórias ao longo dos anos. Porém, quando o assunto é a origem desse movimento artístico, lá nos seus primórdios na década de 50, é o inglês Richard Hamilton (1922-2011) o considerado responsável por isso tudo. É ele que leva o título de “pai da pop art”. Uma bela retrospectiva em sua homenagem está em cartaz no Tate Modern até o final do mês, mostrando detalhadamente a evolução de 60 anos de carreira do artista inglês mais importante do século XX.

Ao caminhar pelas salas, é possível notar como o interesse de Hamilton pela pintura foi evoluindo pouco a pouco para o universo das colagens – algo pouco comum na época. Até que em 1956, sua exposição “Fun House” foi inaugurada em um mix de pintura, instalação, colagem, e vídeo-art. Hoje ela é considerada pelos críticos como o marco zero do movimento da pop art.

Foi ele que começou a mesclar imagens de celebridades da época como Mick Jagger, Marilyn Monroe, J.F. Kennedy, Bing Crosby e Margareth Tatcher nos seus quadros, recurso que hoje atribuímos à pop art.

Além disso, também foi o precursor do uso de logomarcas conhecidas em quadros. Um de seus trabalhos mais conhecidos é a série que dedica a Braun, considerada na época símbolo do “american way of life”. A repetição de logomarcas e símbolos do consumo também virou um marco do pop art, como por exemplo as latas de sopas Campbell de Warhol.

No final da vida, Hamilton – que continuou pintando até o último suspiro- dedicou muitos quadros a assuntos políticos. Criticou extensivamente a guerra no Iraque, os confrontos na Irlanda e até mesmos questões territoriais entre Israel e Palestina.

A retrospectiva de Hamilton acaba sendo não só uma lição de história da arte, onde conhecemos o embrião de um movimento hoje tão marcante, como também uma aula de história, já que ele não passa despercebido por nenhum tema político que mereça atenção internacional.

Para ver outras obras de Hamilton, acesse o site do museu Tate Modern e navegue pela página da exposição, que fica em cartaz apenas até 26 de maio.