Van Gogh no D’Orsay

Paris se prepara para receber amanhã a exposição “Van Gogh/ Artaud: Le suicide de la société” no Museu D’Orsay. A mostra é baseada na análise do dramaturgo e roteirista francês Antonin Artaud sobre Van Gogh, na qual ele revelava ter descoberto no mestre do pós-impressionismo, uma esquizofrenia “do tipo degenerado”.

Van Gogh, “auto retrato” de 1889

Em 1947 o galerista Pierre Leob pediu que Artaud escrevesse um texto sobre Van Gogh para uma retrospectiva que seria inaugurada no Museu de Orangerie, em Paris. Como Artaud tinha sido interno durante nove anos em uma clinica psiquiátrica, o galerista achou que ele seria a pessoa mais indicada para escrever sobre o pintor holandês, considerado louco. Artaud, por sua vez, não se conformava com a visão que a sociedade tinha do grande mestre, e decidiu a partir desse pedido escrever um livro “Van Gogh, o suicidado da sociedade”.

Antonin Artaud: roteirista, dramaturgo e diretor de teatro

No livro, que foi na época alvo de tantas criticas quanto elogios, Artaud sugere que a lucidez do artista era superior as do demais, fazendo com que ele se tornasse um alienado da sociedade. Uma das teorias mais desafiadoras do autor é que o distúrbio que as obras causavam no publico, por suas verdades intoleráveis, foi o que causou o suicídio de Van Gogh.

“Não, Van Gogh não era louco; ou então ele o era no sentido desta autêntica alienação que a sociedade e os psiquiatras querem ignorar, sociedade que confunde escrita com texto, ela que tacha de loucura visões exorbitadas de seus artistas e sufoca seus gritos no papel impress.” – Antonin Artaud

A exposição terá cerca de 45 obras, entre elas quadros, cartas, desenhos e fotografias, selecionadas pelo curador Guy Cogeval, presidente dos museus D’Orsay e Orangerie, em conjunto com a curadora-chefe do D’Orsay, Isabelle Cahn.

A exposição “Van Gogh/ Artaud: Le suicide de la société” inaugura dia 11/03 e fica em cartaz até 06/7. O Musée D’Orsay fica na 1, rue de la Légion d’Honneur 75007, Paris.