Arte na Suite de Gisele Taranto by Vanda Klabin

Um relato exclusivo da curadora Vanda Klabin sobre seu trabalho na Suite do Casal, assinada por Gisele Taranto

As obras selecionadas para a Suite do Casal no espaço de Gisele Taranto na Casa Cor 2013,  expressam um universo muito particularizado  de  uma intimidade repleta de conotações simbólicas.

A arquiteta Gisele Taranto e a curadora de arte Vanda Klabin em baixo da obra “A perfeição da natureza está na imperfeição dos encaixes” , de Fernando de la Roque – Galeria Artur Fidalgo

Aqui encontramos  um tempo suspenso, uma passagem do exterior para um mundo mas interiorizado, mais íntimo. Essas obras convocam o nosso imaginário, refletem um repertório de vivências e uma  pluralidade  de aspectos do nosso comportamento,  que apontam para a cristalização de fantasias ou  distribuem  um certo glamour e sensualidade  a esse espaço projetado pela Gisele Taranto, que acariciam o nosso olhar através da sua notável percepção ao compor os elementos desse quarto.

“Lene”, de André Andrade –  Galeria Athena Contemporânea

Caixa 201, / “Caixa 230” / “Caixa 2308” / “Caixa  231”, de Sergio Sister – Galeria Artur Fidalgo

O pensamento estético de Gisele Taranto explora novas possibilidades  para a vida cotidiana, onde uma série  de objetos são dispostos para adquirir novos significados.  Busca, no plano estético, a iluminação mais indireta, o desalinho dos lençóis na cama,  o conjunto de dez chuveiros criando um percurso de uma chuva natural, enfim, momentos multissensoriais onde os atos triviais são singularizados em  experiências extraordinárias.

A vitalidade do  Passante de José Resende no hall de entrada já prenuncia a passagem do mundo exterior uma relação mais intimista na parte mais reclusa do ambiente de uma casa. A ausência de tecnologias domésticas, como a interdição de uma  televisão, vai se manifestar  a sua presença, na forma conceitual, na obra de André Andrade, que focaliza  os bugs eletrônicos ao se apropriar  desses lapsos nas transmissões dos sinais da TV, desses staccatos  ou obstruções, criando uma espécie de ruído ótico no ambiente. 

Na parede: “My name is Mario Cranford / Cocaine in my brain”, de Gais Ama -Galeria Huma Arts Projetcs. Em cima da mesa: Globo da Série “Assim é … se lhe parece”, de Nelson Leirner – Galeria Sivia Cintra  +Box4

A presença  da tela dourada e em mandala luminosa  de Fernado de la Rocque,  invoca  o erotismo e a sensualidade;  o agenciamento de uma  delicadeza e de um sutil jogo de encaixes presentes nas esculturas  alabastro e ouro de Maria-Carmem Perlingeiro; as tentadoras e ambíguas maçãs de Carlos  Zilio; o pulsar dos corpos imersos na água e entrelaçados, em uma quase coreografia,  de Daisy Xavier; a desconstrução e o estranhamento dos objetos do cotidiano, seja no tênis AllStar fatiado ou na pedra cuidadosamente  costurada no closet  do casal  de Anna Linnemamnn;  as sutis interferências na arquitetura de Frank Lloyd Wright nas quase miniaturas fotográficas de Mariana Tassinari colocadas nos confins de gavetas ;  as complexas vibrações cromáticas das Caixas de Sergio Sister  e o deslocamento de uma  possível conversa entre Platão e o Sol  no trabalho de Nuno Ramos; a fina ironia de Nelson Leirner e sua co-autoria na alteração do sentido geográfico dos mapas e capas dos catálogos do Sotheby’s ; os enigmas e transposições nas supreendentes colagens de  Gais/ Ama; a realidade transposta em carga poética nas tela-poeminhas de Célia Euvaldo; o conjunto de tee shirts com intervenções de grafiteiros participantes de uma arte da esfera urbana.

“Casa de Frank Lloyd Wright”, de Mariana Tassinari – Galeria Luciana  Caravello Arte Contemporânea

Platão com Sol 89”, de Nuno Ramos – Galeria  Anita Schwartz

Esses são os componentes que habitam a suíte do casal de Gisele Taranto, criando uma nova realidade psicológica e visual para esse  espaço poético- arquitetônico.