Ver para crer

O crítico de arte inglês Will Gompertz resolveu botar a boca no trombone e falar sobre um assunto que ainda é tabu para muita gente. Ele, que é editor de artes da inglesa BBC, e ex-diretor de comunicação do Tate Modern, aborda a historia da arte do impressionismo aos dias de hoje. Seu enfoque, porém, além do relato histórico bem completo, é questionar os sujeitos banais de algumas – muitas –obras de arte criadas nos últimos 150 anos. Como o subtítulo sugere, “Isso é arte?” é um livro que além de outras coisas, leva o leitor a ver além das obras de Damien Hirst, Jeff Koons, Ai Wei Wei, e outros artistas considerados “gênios” da atualidade.

“What Are You Looking At?: 150 Years of Modern Art in the Blink of an Eye” / A tradução para o português, disponível a partir de 01/08, chama-se: “A História da Arte Moderna do Impressionismo até Hoje – Isso é arte?” (Editora Zahar).

Gompertz, que estará no Brasil em setembro para participar da Bienal do Rio, vem recebendo muitas criticas – positivas e negativas – desde o lançamento de seu novo titulo. Afinal, não é toda hora que críticos exploram a questão do artista-empresário, que vendem obras de valor artístico questionável por preços astronômicos. O autor chegou a criar um termo para esse tipo de artista, que considera objetos banais como arte: entrepeneurialism. Para ele, são artistas que impõe suas obras como arte no mercado. Exemplo disso, foi a venda dessa obra de Damien Hirst por 12 milhões de dólares (foto).

“The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living” – Damien Hirst (1991)

O autor não aponta essa tendência exclusivamente nas obras atuais. Por se tratar de um livro de história, ele traça o inicio desse percurso que a arte vem levando desde o inicio do século XX. Imagens conhecidas, como “Toilet”, de Marcel Duchamp, ícone do movimento dadaísta, é considerada como um marco zero para o que vem a ser obras de Warhol ou Wei Wei.

“Toilet”, Marcel Duchamp (1917)

Ao mesmo tempo, outra vertente discorda plenamente desse ponto de vista, vendo nas obras dos últimos 150 anos, um real valor artístico – e histórico.

“Study of Perspective”- Ai Wei Wei (1995-2003)

Gompertz termina o livro sugerindo que se Marcel Duchamp fosse vivo, ele seria um street artist. Concordando ou não com essa caricatura sugerida, para todos os efeitos é uma ideia interessante para se contemplar.