Boipeba, Bahia: o pós-luxo do verão

by Patricia Mayer

É comum associar a palavra luxo a poder financeiro, a tempo para se fazer o que quer, e até a gozar de boa saúde. Mas os tempos modernos vem atribuindo novos significados para  luxo e, com essa profusão de sinônimos, cada um acaba elegendo o seu luxo particular.

A novidade agora é o pós-luxo, que sinaliza, entre outros caminhos, poder conviver com a natureza, apreciá-la e aproveitar tudo que está em torno dela, sempre atento à sustentabilidade. Um luxo, aliás, acessível a todos, diga-se de passagem. Basta dizer que os restaurantes da moda em Nova York já cultuam os produtos “da horta”, e que passar uma temporada surfando em Mentawai, na Indonésia, também pode ser símbolo do pós-luxo.

Minha primeira experiência com pós-luxo aconteceu neste início de 2013, quando, a convite da artista plástica Mucki Skowronski e seu marido Arthur Bahia, (que já convivem com esse pós-luxo há algum tempo desde que inauguraram o hotel Fazenda da Lagoa em Una) estive na ilha de Boipeba no litoral da Bahia, a cerca de 200 km ao sul de Salvador. Na verdade, a casa paiol “importada” de Minas, montada sob medida com madeira de demolição e inteira decorada pela Mucki no melhor do estilo despojado chic, fica numa fazenda de coqueiros na Ponta de Castelhanos, bem pertinho do vilarejo São Sebastião da Cova da Onça (cerca de 700 habitantes).

Ponta de Castelhanos, Boipeba

Vista aérea da fazenda: o coqueiral baiano

 Da casa, sede da fazenda (que no futuro será um empreendimento com hotel e casas particulares, com o maior cuidado com a natureza, diga-se de passagem), vê-se o mar entre coqueiros a poucos passos na frente.

Seda da fazenda

Um dos quartos de hospedes

Um mar de águas azuis e transparentes, com corais e mangues, onde passeiam peixes diversos, vivem conchas e nascem árvores como se estivessem na terra… Um mar de marés intensas, que oferece mil e uma possibilidades de mergulhos, desde boiar horas seguidas em piscininhas até paddlesurf, esportes submarinos ou simplesmente se exercitar andando na água ou nadando.

As marés garantem a diversidade no dia a dia…

Galho encontrado na praia, olhar da Mucki

“Planetário” no deck

Os detalhes fazem a diferença…

E vive-se da natureza. A água é do coco; a lagosta, a garoupa e o siri do almoço vêm fresquinhos, trazidos pelo pescador amigo. O doce de banana é da bananeira ali do lado. O queijo da vila é de coalho. 

Mesa pronta para o almoço…toalha e painel ao fundo são trabalhos de Mucki

 Nesse pós-luxo, o silêncio é um atributo. E quando à noite, o programa é sentar no deque da casa ao relento para apreciar as estrelas entre as silhuetas dos coqueiros, a única referência ao luxo do passado é o programinha do iPhone 5 que ajuda a identificar as constelações…

O entardecer