Arquitetura +Instalação+ Pintura = Henrique Oliveira

O artista Henrique  Oliveira inaugurou dia 1 de dezembro de 2012 a maior exposição individual de sua carreira, no Centro de Arte Hélio Oiticica, com curadoria de Vanda Klabin. A mostra apresenta oito  pinturas e cinco esculturas  datadas de 2008 a 2012, a maior parte inéditas no Rio de Janeiro.

Henrique Oliveira clicado  por Vanda kKabin durante a  montagem da exposição

Vista geral  da exposição

Nascido em Ourinhos, interior de São Paulo, seu primeiro atelier  foi junto à marcenaria de seu pai. Em 1997 dedica-se à pintura e hoje é  mestre em poéticas visuais pela ECA-USP. Na sua produção, o movimento da pintura está presente na escultura. A curadora Vanda Klabin aponta certa paridade entre os dois meios: “Sua pintura, com vibrantes contrastes, harmonias dissonantes, grumos espessos e com alta voltagem cromática, tem uma conotação ambígua e é também transformada em linguagem tridimensional a desdobrar-se no espaço”.

Suas instalações podem intervir nos espaços urbanos ou estarem colocadas no interior de um espaço arquitetônico, criando rupturas  e erupções monumentais que parecem sair de dentro das paredes. O trabalho resulta numa espécie de campo ativo, uma experiência multidirecionada, uma imensa arena onde estão expostos os nossos conflitos estéticos e sociais. Ele afirmou em uma entrevista na Rice Gallery Houston que o seu trabalho está entre a arquitetura, a instalação e a pintura.

 “Xilonoma Chamusquius”, 2010, madeira co mpensada queimada e pigmentos – Galeria Millan, SP

“Xilempasto 4”, 2012,2012,madeira compensada e pigmento- obra realizada em novembro para  a exposição

A série intitulada Tapumes, que tem origem na palavra portuguesa tapar, que significa fechar, é comentada por Henrique Oliveira: “é fechar seus olhos,  mas também evitar que as pessoas vejam alguma  coisa. Isso é importante para o meu trabalho, algo que obstrui a sua visão, torna-se objeto de sua visão – e também no contexto da pintura, em vez de usar tintas e traços para desenvolver alguma arte ilusória, minha “pintura” ocupa um espaço arquitetônico… talvez os tapumes pareçam uma espécie de pele urbana.”

Em relação à sua paleta, Vanda Klabin avalia: “A cor é o seu veículo expressivo e compatibiliza elementos díspares e dissonantes na estruturação da tela. Apresenta planos populosos, superfícies ofegantes com pequenos núcleos de saturação pictórica. Enfatiza a matéria com grossos empastos irregulares, múltiplas camadas, e as pinceladas vívidas, nervosas, criam uma espécie de engarrafamento cromático nas suas linhas escorridas e ondulantes.”

“Xilempasto 2”, 2010, madeira compensada queimada e pigmentos -galeria Lameida & Sale, SP

“Xilonoma Chamusquius 3” , 2012, madeira compensada queimada e pigmentos-  coleção particular

As pinturas se constituem de um misto de procedimentos. A tela é colocada no chão, Henrique joga a tinta e deixa escorrer, mas também usa a pincelada e a raspagem com espátula. Esses procedimentos não se fundem. Por isso, o resultado é semelhante a uma “colagem”, segundo ele. A profusão de cores não cria volumes. O relevo é o da própria tinta. Suas pinturas e esculturas de dimensões arquitetônicas têm despertado interesse internacional. Em janeiro de 2013, ele embarca para Paris, para uma residência de seis meses, que culmina com uma exposição solo, no Palais de Tokyo, na mesma cidade.

A exposição está no Centro de Arte Hélio Oiticica, na Rua Luis de Camões, 68, no Centro, até 3 de fevereiro de 2013. Abre diariamente (exceto segundas) de 11h às 18h, com entrada franca.